O agora ex-deputado estadual Josué Neto deixa para trás um mandato marcado por polêmicas e falta de transparência na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Josué Neto, que foi empossado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), estreou no parlamento estadual em 2006, quando exercia o mandato de vereador e foi eleito deputado pelo então Partido da Frente Liberal (PFL), hoje, Democratas (DEM).
Em seu segundo mandato na Aleam (2010-2014) foi eleito, pela primeira vez, presidente da Casa Legisltativa. Dessa vez, o parlamentar era filiado ao Partido Social Democrático (PSD).
Josué presidiu a Aleam no biênio 2013-2014, mas durante sua gestão teve que encarar toda a bancada de oposição que considerou sua vitória como um “ato antidemocrático”, pelo fato de ter sido uma indicação do então governador Omar Aziz (PSD).
A partir de 2016 Josué obteve os votos necessários para se eleger por quatro mandatos consecutivos, ausentando-se da Casa apenas durante o período de campanha para as eleições municipais de 2006, onde concorreu ao cargo de vice-prefeito ao lado de Marcelo Ramos (PL).
Acusado por colegas de ‘ferir’ Constituição para ser conselheiro
Uma das polêmicas mais recentes envolvendo o nome de Josué Neto aconteceu em dezembro do ano passado e está justamente ligada à vaga de conselheiro no TCE-AM.
Acusado de “bandido e golpista” pela deputada Alessandra Campêlo (MDB), Josué Neto, junto a outros parlamentares, aprovaram uma PEC em poucos minutos que antecipou a votação para a nova presidência da Casa, abrindo caminha para Roberto Cidade (PV) o substituir e, assim, ele garantir a cadeira no TCE-AM, um “acordo com via de mão-dupla“, como caracterizaram alguns colegas da Aleam.
O fato ficou conhecido como “PEC Miojo”.
O decano da Casa, Belarmino Lins (PP), na época, chegou a dizer que Josué estava “maculando a história do parlamento“.
Aleam sem transparência
O RealTime1 vinha pressionando o deputado Josué Neto desde junho do ano passado sobre a falta de transparência da Aleam.
O portal queria informações sobre contratos e demais gastos na gestão presidida pelo parlamentar, inclusive já investigados pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM).
Outra polêmica relacionada à falta de transparência na Aleam enquanto presidida por Josué.
Em novembro de 2020, por exemplo, no ranking da Transparência dos poderes estaduais (MP-AM, Governo, Defensoria Pública, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas e Assembleia), a Aleam aparecia em último lugar neste quesito.
Procurado pelo RealTime1 na época, Josué Neto foi sucinto em dizer que todos os seus atos estavam de acordo com a lei.
Texto: Rosianne Couto
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