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sábado, 29 de janeiro de 2022

Ex-Suframa alerta para os riscos da ruptura institucional no País

Um dos principais economistas amazonenses publicou artigo lembrando que ninguém sabe como começam as rupturas, mas o final é conhecido: o elemento militar enxovalhado.

7 de setembro de 2021

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Thomaz Nogueira foi superintendente da Suframa e Secretário de Estado do Planejamento do Amazonas. (Foto: Reproduçao/Facebook)

O ex-superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, divulgou, nesta terça-feira, em suas redes sociais, um artigo alertando para os riscos de uma ruptura institucional e os prejuízos que ela pode causar ao País.

Um dos principais estudiosos da economia amazonenses, Nogueira sinaliza que no mundo globalizado a democracia é um valor supremo e inspira os demais aspectos da vida social e que uma ruptura será traumática para todos os envolvidos, principalmente se forem militares.

Confira o artigo:

“Declaração de voto, profissão de fé, ou chame como quiser.

Tem vezes que a vontade é ficar quieto no canto. Tem vezes que calar não é opção. Quase ninguém presta atenção ao que escrevo, mas nem isso justifica ficar calado. O rebuliço desse 7 de setembro impõe. Se alguém é a favor do voto impresso, está no seu direito. Se defende o pleno armamento da população, também. Se critica as decisões do STF, está exercendo o seu direito de expressão. E eu, que não concordo com nenhuma dessas ideias, estou com eles, defendendo o direito de se manifestar. Pode incluir ai diversos outros itens da pauta conservadora. Mas, direto ao ponto. Há algo que ninguém tem direito. A ninguém, ninguém, é dado ou pode ser permitido, atentar contra o Estado Democrático de Direito. Simples e direto. Nenhum raciocínio tortuoso, falsamente salvacionista, pode autorizar a quebra da normalidade democrática. Só há uma única e válida opção para o exercício do Poder Político: Eleições periódicas, livres e soberanas. Só há uma única e válida regra para a organização da sociedade: O funcionamento pleno de cada Poder da República. Apesar de simples, vou lembrar o que já escrevi. Em 132 anos de República, apenas 4 presidentes foram eleitos de forma democrática e concluíram integralmente, seus mandatos. Na República Velha o voto era viciado, aberto, de cabresto, ganhava-se eleição com 97% dos votos. Depois da Revolução de 30, só Dutra, JK, FHC, Lula concluíram os mandatos para os quais foram eleitos. Dilma concluiu o primeiro, Congresso golpeou o segundo.

Então, mesmo que você ache que esse 7 de setembro vai ser uma pantomina, não esqueça que tem muita gente querendo participar de um ensaio, para o samba-enredo do autoritarismo. Não podemos ficar calados. Minha mãe cobrou, em nossa última conversa, o exercício da prática do respeito à divergência. “Pense em quantas pessoas, que você conhece há anos, que você sempre teve consideração, hoje, pensa diferente de você. Tem de respeitar.” Ai perguntei: Mas são aspectos fundamentais, de valores, tenho de aceitar? Ela foi certeira “Você tem o mesmo direito, de ter sua opinião e defender.” Então, simples assim. Para mim qualquer quebra de normalidade democrática é barbárie, retrocesso.

Se você pensa diferente, lamento. No dia das eleições, postei no Face: “Meu voto, HOJE, quer garantir que a gente vai voltar para votar, de novo, em 4 anos.” É simples assim. No dia seguinte, defendi o mandato de Bolsonaro (se quiser, é só checar em https://tinyurl.com/nvhmh88u) e contínuo com o mesmo propósito. Mas a sociedade precisa se posicionar e dizer aos aventureiros, arrivistas, vivandeiras de quartel, que golpes não serão tolerados. Devem ser crimes imprescritíveis, hoje ou amanhã, qualquer um que quebre a ordem constitucional tem de ser punido exemplarmente. Não importa se a noite durar um ou 10 anos. Não existe tipificação legal? Nuremberg neles.

Fui aluno do Colégio Militar de Manaus, tenho amizades longevas que ali construí. Digo aos mais próximos: Ninguém sabe como começa qualquer aventura, mas sabe como termina, com o elemento militar enxovalhado, sem diminuir, em nada, os próprios danos do autoritarismo. Aos que citam o fantasma do comunismo, lembro que as democracias ocidentais em que se espelham, não admitiriam, jamais, tais presepadas. Tem coisas que não se negociam, essa é uma delas. Se você quiser me inscrever no livrinho de almas decaídas, fique à vontade”.

Thomaz Nogueira – Advogado, ex-superintendente da Suframa

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