quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Líder indígena e deputado federal criticam COP 30 e questionam seu impacto para a Amazônia

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Ailton Krenak e Joaquim Passarinho expressam críticas contundentes sobre a COP 30 (Foto: AP Photo/Sergei Grits)

A COP 30, programada para acontecer em novembro de 2025 em Belém (PA), tem gerado intensas críticas de figuras influentes, como o líder indígena Ailton Krenak e o deputado federal Joaquim Passarinho (PL/Pará).

Recentemente, ambos questionaram a relevância do evento, seus custos e o impacto para a Amazônia e para as comunidades locais.

Ailton Krenak, escritor e líder indígena, afirmou durante uma conferência no Collège de France, em Paris, que a COP 30 se transformou em um evento que beneficia grandes empresários, sem promover soluções reais para os problemas climáticos.

Para ele, a conferência poderia ser realizada de forma mais econômica, por meio de videoconferências, sem a necessidade de grandes investimentos e deslocamento físico dos participantes.

Krenak destacou a falta de infraestrutura de Belém para sediar um evento dessa magnitude, mencionando que, devido à infraestrutura limitada da cidade, um navio será utilizado para abrigar os participantes.

“A quantidade de recursos gastos para promover esse encontro poderia ser evitada”, disse ele, enfatizando a ineficiência do evento diante da realidade de Belém.

Além disso, Krenak criticou a ausência de líderes mundiais e chefes de governo na conferência, sugerindo que, com a participação de empresários e corporações, o evento pode acabar se tornando um espaço de negócios, ao invés de uma oportunidade real para discutir questões climáticas globais.

Ele também afirmou que a influência dos Estados Unidos na conferência pode enfraquecer as decisões climáticas, citando que “os acordos sobre o clima estão derretendo, assim como nossa esperança de que o clima mude”.

O impacto de Belém e a exploração de petróleo

Krenak ainda abordou o impacto negativo que a COP 30 pode ter em Belém, uma cidade que já enfrenta problemas de urbanização agressiva.

“Na minha última visita a Belém, vi uma cidade em obras, cheia de máquinas. Como podemos considerar que uma conferência trará benefícios se o resultado imediato é a degradação da qualidade de vida dos moradores?”, questionou.

Krenak também criticou a exploração de petróleo na Bacia Amazônica, chamando-a de “divórcio da realidade”. Para ele, a exploração de combustíveis fósseis deveria ter sido encerrada durante a COP 29, em Baku, no Azerbaijão.

“Se você quer animar um governo, basta oferecer um poço de petróleo”, disse Krenak, provocando risos no público.

Deputado federal critica falta de soluções para a Amazônia

O deputado federal Joaquim Passarinho também expressou sua insatisfação com a COP 30, destacando o fato de que especialistas de fora da Amazônia discutirão a região sem conhecer a realidade local.

Para Passarinho, a ausência de um programa global de saneamento básico para a região e a falta de infraestrutura adequada em muitas cidades amazônicas demonstram que a conferência não trará soluções práticas.

Passarinho criticou o fato de que as discussões externas sobre a Amazônia muitas vezes ignoram os problemas reais enfrentados pela população local.

“Quem vive aqui sabe o que é enfrentar a falta de saneamento, a precariedade na infraestrutura, o desemprego. Não é discurso de fora que resolve. O que mais destrói o meio ambiente é a miséria”, afirmou o deputado.

Para ele, o que a Amazônia precisa são oportunidades de trabalho e geração de renda, não a presença de estrangeiros discutindo teorias sobre a região.

Passarinho também alertou sobre o risco de embargos comerciais que possam ser impostos em produtos da Amazônia.

“Nós vamos sair dessa COP com restrições, o que vai sair é ‘não compre carne que passou pela Amazônia porque foi fruto de desmatamento’, ‘não compre soja que passe pela Amazônia porque foi fruto de devastação’. A minha preocupação é que haja um embargo comercial, não por legislações no mundo em cima de produtos que deveriam ser mais valorizados”, afirmou o deputado.

Para ele, produtos amazônicos como o cacau deveriam ter um valor agregado e serem mais valorizados no mercado global, ao invés de estigmatizados por práticas de desmatamento.

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