A menos de seis meses da realização da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, marcada para acontecer em novembro de 2025, Belém enfrenta um déficit de 13.985 leitos em relação à meta estabelecida pelos governos federal e do Pará para acomodar os participantes do evento internacional.
Embora o governo tenha garantido 36.015 leitos até o momento, a meta é atingir 50 mil vagas até a abertura da conferência, prevista para o começo de novembro.
A capacidade hoteleira de Belém tem sido uma preocupação constante desde que a cidade foi anunciada como sede da COP30.
Para minimizar os impactos no setor de hospedagem e garantir que todos os participantes tenham onde se hospedar, algumas medidas foram adotadas, como a antecipação da reunião de líderes para o início de novembro.
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Desafios no Setor Hoteleiro e Soluções de Hospedagem
Dos 36 mil leitos garantidos, 7.966 estão em Belém, enquanto os outros 4.788 estão distribuídos entre municípios vizinhos como Ananindeua, Barcarena, Benevides, Castanhal, Marituba e Santa Izabel.
Esses locais estão situados entre 9 e 70 quilômetros do Parque da Cidade, o principal ponto de encontro da COP30.
Em alguns casos, como em Barcarena, será necessário transporte por barco devido à distância de mais de duas horas por estrada.
A metade dos leitos vem de plataformas como Airbnb (15.256 vagas), enquanto outras 2.005 vagas estão em motéis.
Além disso, 6.000 leitos serão disponibilizados em navios de cruzeiro. Para as autoridades locais, a previsão de 50 mil visitantes não se refere ao número de pessoas presentes ao mesmo tempo, mas sim à diluição dos visitantes ao longo do evento, com o número de visitantes variando entre os dias da conferência.
Infraestrutura e novas obras para suprir demanda
A vice-governadora do Pará, Hana Ghassan Tuma, explicou que o número de 50 mil leitos foi projetado com base no aumento da demanda internacional.
“Estamos lidando com um evento de grande visibilidade e, portanto, a necessidade de hospedagem é mais robusta do que nas edições anteriores da COP”, afirmou.
Em resposta ao déficit de leitos, o governo está criando 9.877 novos leitos, incluindo 1.282 vagas em novos hotéis (como os das redes Tivoli e Vila Galé), 5.165 leitos em escolas que serão convertidas em hostels, 2.267 leitos em habitações das Forças Armadas e 1.163 leitos em alojamentos religiosos.
Uma obra fundamental para a infraestrutura da cidade é a construção do porto de Outeiro, que receberá navios de cruzeiro e está 69% concluída.
Além disso, novos empreendimentos imobiliários, como hotéis e flats, continuam sendo construídos em Belém, embora só sejam contabilizados oficialmente quando sua viabilidade for confirmada.
Soluções emergenciais e participação da comunidade local
Embora o planejamento para a COP30 avance conforme o cronograma, a situação do setor de hospedagem continua sendo monitorada em tempo real, com as delegações estrangeiras sendo atualizadas constantemente.
Além disso, moradores de Belém estão se adaptando para atender à demanda, como a professora aposentada Ana Maria Cardoso de Sousa, que está construindo suítes em sua casa para receber visitantes.
“Este é um momento único para a cidade. Não sabemos quando outro evento desse porte poderá acontecer, então estamos nos preparando para aproveitar a oportunidade”, afirmou Ana Maria, que também participa de cursos de capacitação voltados ao empreendedorismo local.
Em uma parceria com a ONU, será lançada uma plataforma oficial de hospedagem para facilitar a busca por leitos durante o evento, seguindo os moldes de outras edições da COP.
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