Em entrevista à TV Norte Amazonas na última segunda-feira (22) e em clima de pré-campanha, Amazonino Mendes (sem partido), ex-prefeito de Manaus por três vezes, ex-senador por dois anos e ex-governador do Amazonas por quatro mandatos, não poupou críticas ao governo do Estado. Sobrou até para os deputados estaduais e para a Assembleia Legislativa.
Ao se referir a “uma lei, que destinaria recursos para o interior, e que segundo ele estaria destinando, hoje, ao em torno de mais de R$ 1 bilhão pro interior por ano”, e que teria sido revogada ele disparou:
“Eu nunca vi uma Assembleia, com todo respeito, tão subserviente. Isso realmente é lancinante, a gente se sente mal. Eu sempre respeitei os deputados. Para mim, tem que ser independente. Não comprado através de contratos, negócios”, declarou Amazonino.
Buscando sentar na cadeira de governador pela quinta vez, Amazonino aproveitou o espaço para dizer que o Amazonas ‘está à deriva como nunca esteve antes”, citando diretamente a Segurança e a Saúde.
No entanto, apesar de ter governado o Amazonas por quatro mandatos – ele assumiu o governo pela primeira vez em março de 1986 – e por lá passou por mais de 12 anos, não conseguindo conter os índices de violência e, tão pouco, organizar o sistema de saúde no Estado.
Contrato sob suspeita investigado pelo Ministério Público
Em 2018, quando exercia o mandato tampão como governador, por exemplo, a segurança pública continuou a ser um dos seus grandes percalços. Nesse período, assaltos à luz do dia e a fuga de presos mostravam a vulnerabilidade do sistema no Amazonas.
E o que fez Amazonino enquanto governador? Contratou por R$ 5,6 milhões os serviços de consultoria da Security & Safety, empresa do ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giuliani prometendo reduzir os índices de criminalidade no Estado.
Durante a entrevista, Amazonino explicou que foi “um contrato de valor simbólico de cinco milhões de reais”. E completou: “O que são cinco milhões para uma organização dessa, internacional, acostumada a lidar com bilhões de dólares? Aqui, por política rasteira, criaram um clima negativo. E Manaus perdeu a oportunidade de combater a violência que já era crescente. Jogaram fora”.
O contrato a que se refere Amazonino, no entanto, teria apresentado indícios de irregularidades na dispensa de licitação e foi alvo de investigação do Ministério Público.
Saúde também ‘agonizou’ na última gestão de Amazonino
Amazonino, que tem usado as redes sociais para assumir a ‘paternidade’ de obras públicas referentes aos seus mandatos como prefeito e governador, também criticou a falta de ‘legado’ do atual governo em relação à construção de hospitais.
Mas, enquanto esteve no comando do Executivo Estadual com o intuito de “arrumar a casa”, bordão que usou na pré-campanha de 2017, Amazonino prometeu, pelo menos, três programas voltados à área: além de zerar filas de exames e cirurgias, o ‘Negão’ prometia que não faltaria remédios à população.
No entanto, entre março e junho de 2018, muitas unidades de saúde da capital e do interior, incluindo a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), lidavam com o descaso do Governo para suprir a necessidade de seus pacientes.
Defensoria Pública precisou acionar a Justiça
Em dezembro de 2018 a Defensoria Pública Especializada na Promoção e Defesa dos Direitos Relacionados à Saúde, vinculada à DPE-AM (Defensoria Pública do Estado do Amazonas), acionou o Plantão Cível da Justiça Estadual, para obrigar o governo de Amazonino a fazer transferência imediata de R$ 2,8 milhões do Fundo Estadual de Saúde para a Fundação Cecon (Centro de Controle de Oncologia).
A medida da DPE visava garantir atendimento a pacientes com câncer e manter o fornecimento de medicamentos.
Também em 2018, o deputado Serafim Correa denunciou a redução do número de plantões de anestesistas nos principais hospitais de Manaus. Segundo ele, à época, a alegação do governo do Estado era de que o serviço custa muito caro.
Experiência como respaldo
Em relação às últimas derrotas consecutivas (2018 e 2020), Amazonino disse ter feito uma análise para saber onde estaria errando, mas fez questão de destacar que o objetivo segue sendo o mesmo: “cuidar das pessoas”.
Com uma fala mansa, mas aparentando cansaço, Amazonino discordou dos comentários recorrentes de que não teria mais idade e disposição física para exercer um mandato.
Lá vem eles… De novo!
”O tempo dirá. Na verdade, o Eduardo me apoiou recentemente na campanha para prefeito, nos respeitamos (…) Então é natural que, nos nossos encontros, discutamos os problemas e o destino do Estado”, disse Amazonino quando questionado se há uma possibilidade de disputar o Governo do lado de Eduardo Braga.
Em outubro deste ano, o RealTime1 já havia revelado que Amazonino e Braga estariam se encontrando para iniciarem as articulações para 2022. Um dos entraves será a decisão sobre qual dos dois será o cabeça da chapa se a união vingar.
Da Redação
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