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sexta, 22 de outubro de 2021

Amazonino e Braga intensificam ‘paternidade’ de obras públicas no AM

Nesse mês de setembro, as equipes de Amazonino e Braga intensificaram postagem sobre obras e projetos criados na gestão dos políticos, que hoje caminham em lados opostos.

23 de setembro de 2021

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Amazonino e Eduardo Braga, hoje em lados opostos, já caminharam juntos. Inclusive, Braga foi vice-prefeito de Manaus na gestão de Amazonino (Foto: Divulgação)

Dois nomes conhecidos da política amazonense disputam, ‘pau a pau’, a preferência da população em ano pré-eleitoral. Amazonino Mendes (sem partido) e Eduardo Braga (MDB) têm usado as redes sociais para assumir a “paternidade” de suas obras – postura intesnficada nas últimas semanas.

Como diz o caboclo: “tá demais essa dupla”. Mas que de dupla já não tem nada, pelo menos é o que está em evidência atualmente com ambos caminhando em lados opostos. No entanto, os dois já estiveram juntos em outras oportunidades. Inclusive, Braga é considerado por muitos como discípulo de Amazonino.

Eduardo Braga, hoje senador, já foi vice-prefeito de Manaus em 1993 e 1994, na gestão de Amazonino. Na eleição seguinte para prefeito de Manaus, elegeu-se ao cargo majoritário do executivo municipal com o apoio do Negão.

Braga também foi o sucessor de Amazonino no Governo do Amazonas, quando foi eleito governador do Amazonas em 2003, ficando até 2010, por dois mandatos consecutivos. Na ocasião, Omar Aziz foi seu vice.

‘Eu fiz isso’ e ‘eu fiz aquilo’

Na dúvida de “quem fez o quê?”, o RealTime1 traz alguns projetos e obras que Amazonino (eleito governador por quatro mandatos) e Braga (eleito governador por dois mandatos) tanto se orgulham e, recentemente, divulgaram em suas próprias redes sociais (Facebook e Instagram), confira:

Amazonino destacou a implantação da Rocam, a construção da UEA e a pavimentação da BR-174, a restauração de espaços culturais como o Teatro Amazonas e o Largo São Sebastião, a criação do Liceu de Artes Cláudio Santoro, a implantação do auxílio Direito à Vida, a construção do Bumbódromo em Parintins e os programas Leite do meu Filho e S.O.S Manaus, entre outras.

Entre os projetos e programas, Eduardo Braga listou o Bom de Bola, Jovem Cidadão, o Reescrevendo o Futuro, Prato Cidadão, Bolsa Floresta, SOS Cidadão e Farmácia Popular. Ele também divulgou a realização de obras que deram lugar aos Centros de Convivência da Família, a Zona Franca Verde, a Ponte sobre o rio Negro, a “Avenida das Torres, além de maternidades, Escolas de Tempo Integral e hospitais, entre outras.

Consultada pelo RealTime1, a advogada e especialista em Direito Eleitoral Denise Coêlho analisou as publicações dos dois pré-candidatos ao Governo do Amazonas para as Eleições de 2022 e constatou que, no presente momento, não há indícios de eventuais crimes eleitorais. Segundo ela, a princípio, os candidatos podem apresentar o legado de suas administrações passadas, como uma espécie de portfólio.

“Esse é o período para eles apresentarem o perfil deles, formação e o que já fizeram. O problema maior é caso eles comecem a usar essas publicações como ‘eu fui o melhor governador, por isso na hora de votar…’, alguma coisa nesse sentido”, explica a especialista.

Um governante tem realizações para mostrar

De acordo com o professor e cientista político Helso Ribeiro, os dois já governaram o Amazonas mais de uma vez, e é natural que qualquer governante que tenha passado quatro ou oito anos no cargo tenha realizações pra mostrar – isso em qualquer canto do mundo.

“Cada vez mais eles vão tentar mostrar que são os donos, os ‘bambambãs’ na história do Amazonas”, analisa Ribeiro.

Ainda de acordo com o professor, pesquisas recentes mostram que o eleitor tem uma refração grande aos dois, tanto que a rejeição deles é muito grande. Porém, segundo Helso, sempre pesa alguma coisa na balança quando você mostra realizações. “Acho que é nisso que eles estão apostando”, acredita o cientista político.

Helso reforça que Braga fez parte do grupo do Amazonino e que, de fato – por conta de circunstâncias de interesses – o cacique político chegou a apoiá-lo. “A diferença de idade entre eles é de mais ou menos 20 anos, e nesse aspecto o Braga sucedeu o Amazonino. Agora, posteriormente, eles já se enfrentaram. Já deu Amazonino, já deu o Braga, e hoje os dois têm interesse no mesmo cargo”, reforça Ribeiro.

Eleitor conservador quer saber quem fez

O eleitor amazonense é conservador. E quem analisa esse cenário é o professor e cientista político Breno Rodrigo de Messias Leite.

Ao RealTime1, o especialista explicou que o bom eleitor amazonense gosta de saber o que o candidato já fez. Nesse cenário, para o especialista, as estratégias de publicidade mostrando o trabalho de cada um ao longo da vida pública são benéficas.

“Obviamente, o eleitor quer ter algum tipo de informação, e quer saber quais obras foram feitas e o que foi feito. Mas, a preocupação é com o que virá, e os políticos sabem trabalhar essa faceta. Sabem usar o fato de terem feito uma obra pública e que podem fazer muito mais, e isso dá ao eleitor um certo grau de confiança sobre aquele político”, analisa o especialista.

A divulgação diz muito para o eleitor?

Mostrar obras e experiência administrativa, segundo Leite, diz muito para o eleitor. “A divulgação vem beneficiar o futuro candidato. Isso mostra ao eleitor o que ele fez, e isso é uma estratégia de campanha. É melhor você mostrar o que já fez do que dizer que é um político novo, sem nenhuma experiência administrativa. A experiência administrativa conta muito”, pondera.

De olho no público jovem

O professor frisa que os políticos acumulam experiências em cargos como o de prefeito, governador, senador e até ministro do governo federal – e ambos têm um certo eleitorado.

“Se nós pensarmos bem sobre a experiência deles, no caso do Amazonino, por exemplo, já passou muito tempo da administração dele. A gente teve nos últimos anos uma grande renovação etária do eleitorado, com muitos jovens passando a votar. Então, quando esses políticos assumem a paternidade de obras públicas, de certa maneira eles [políticos] querem vincular a experiência administrativa e passar para os novos eleitores o que eles fizeram no passado e que representam um certo grau de experiência. Isso é muito comum na política brasileira”, exemplifica o cientista político.

Elite política amazonense

Breno Leite explica que é esporádico o eleitor amazonense escolher o novo. O normal é o cidadão depositar o voto em quem já tem experiência administrativa.

As elites políticas do Amazonas são muito seguras da sua reprodução, da capacidade de reproduzir. E, obviamente, esses políticos sabem trabalhar naquilo que o eleitor quer ouvir. Então, se eles estão fazendo isso certamente é obedecendo a uma estratégia que já foi usada e deu certo”, acredita o professor.

O especialista explica que, pelo fato de ser muito conservador, o eleitor amazonense não gosta muito de apostar no novo. Um exemplo disso, aponta Breno, é a evolução da elite política amazonense ao longo dos anos, com início nos anos 50, com o Gilberto Mestrinho. Essa elite, segundo o especialista, é mantida. Ela foi resinificada na redemocratização de 80, com o próprio Mestrinho. “Então, nos temos uma elite formada em torno do Gilberto, Amazonino e Eduardo Braga, esses dois últimos sendo os políticos que vão manter essa herança criada pelo Gilberto”, avalia Leite ressaltando que o amazonense dificilmente tem o costume de apostar no novo.

“É só você analisar por quanto tempo já dura essa herança política. Até aqui, o primeiro a furar a bolha foi o Wilson Lima (PSC), mas olha quanto tempo depois”, frisa o professor.

Wilson Lima foi eleito governador do Amazonas em 2018 com 58,50% dos votos válidos. Na ocasião, Amazonino Mendes foi derrotado em segundo turno, ficando com 41,50%. Naquele ano, além de Wilson e Amazonino, disputaram o Governo do Amazonas, no primeito turno, os candidatos: David Almeida, 23,49%; Omar Aziz, 8,07%; Lúcia Antony, 1,49%; Berg da UgT, 0,31%, e Sidney Cabral, 0,07%.

Texto: Isac Sharlon

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