O resultado da pesquisa Perspectiva Mercado & Opinião indicando um cenário eleitoral em 2022 com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) doze pontos a frente do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Amazonas pode ter relação com os acontecimentos envolvendo o ex-juiz Sérgio Moro. Essa é a avaliação dos deputados estaduais ouvidos, nesta quinta-feira (25), pelo RealTime1.
O deputado Sinésio Campos (PT) defende a tese de que a pesquisa seria um reflexo da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela anulação das condenações do ex-presidente Lula revelando, segundo ele, “a grande notícia falsa” construída pelo ex-juiz Sérgio Moro sobre os casos apurados na Lava Jato.
Lula venceria em 2018
Para Sinésio essa suspeição mostra a intenção de tirar o ex-presidente da corrida pela presidência pois: “caso o presidente Lula concorresse as eleições o resultado poderia ter sido outro”. Com isso, sem revelar mais informações, ele vê nessa conjuntura um oportunidade para mudar as alianças partidárias em âmbito estadual.
“O Haddad que era o candidato do presidente Lula teve uma boa votação na maioria dos municípios e agora eu creio que com isso também se tem um novo reposicionamento das eleições não somente nacionais como também reposicionamento dos partidos políticos que terá, claro, um reflexo nas eleições estaduais”, contou.
O parlamentar ressalta ainda outro fator para a perda de popularidade de Bolsonaro em Manaus, mostra um descontentamento da população com a proposta econômica que não respondeu as expectativas dos eleitores em relação ao emprego e da renda e atacou a indústria local.
“Não é apenas a pessoa, mas o mosaico de problemas que o governo federal vem passando, e que na verdade estão extenuando esse desgoverno”, completou o deputado.
‘Ainda é cedo‘
Fiel defensor do presidente da república, Delegado Péricles (PSL) diz que ainda é cedo para levantar hipóteses, principalmente quanto ao processo de anulação das condenações do presidente Lula, uma vez que os casos voltaram a ser apurados agora na sob responsabilidade da Polícia Federal de Brasília.
Ele não invalidou a pesquisa, mas disse que “uma eleição só se vence no dia”. Péricles insinuou ainda que em 2018 nenhuma delas apontava Bolsonaro como favorito, o que não é uma realidade, uma vez que nas últimas eleições o DataFolha, por exemplo, apontou uma vantagem de quinze pontos percentual a frente de Haddad.
“Temos dois anos pela frente. Muito ainda precisa ser revisto no que diz respeito à absolvição de um homem que foi condenado em diferentes instâncias e mesmo assim, hoje usufrui de decisões que o colocam no mesmo patamar de todos nós. Bolsonaro não estaria eleito se fossem as pesquisas. Todos não o consideravam sequer no segundo turno”, defendeu Péricles.
A votação em 2018 no interior do estado apenas Apuí (51,55%) e Guajará (50,48%), Bolsonaro teve maior percentual de votos em comparação a Fernando Haddad, além da capital, Manaus, onde o presidente obteve 65,72%.
Texto: Giovanna Marinho
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