quinta-feira, 1 de outubro de 2026

"Porta-voz da ZFM", Daniella Consentino deverá presidir a Caixa

Braço direito de Paulo Guedes, Consetino deixa a Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade pouco mais de quatro meses após assumir a predidência.
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Autointitulada “porta-voz dos interesses da Zona Franca de Manaus” junto ao Ministério da Economia, a secretária especial de Produtividade, Emprego e Competitividade da pasta, Daniella Marques Consentino, foi indicada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para presidir a Caixa Economica Federal, no lugar de Pedro Guimarães. A informação é da colunista Alexa Salomão, da Folha de São Paulo.

Braço direito do ministro Paulo Guedes, Consentino deixa o cargo pouco mais de quatro meses após assumir presidência da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) – unidade à qual a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) está ligada.

Em 24 de feveireiro deste ano, presidiu a 302ª Reunião Ordinária do Conselho de Administração da Suframa (CAS) – reunião que marcou os 55 anos do modelo ZFM. Esta, aliás, foi a primeira e única vez que a secretária pisou no Amazonas. Na ocasião, ela ouviu de empresários e políticos locais pedidos para que intercedesse junto a Paulo Guedes para garantir a manutenção das vantagens comparativas do Polo Industrial de Manaus (PIM), em uma anunciada redução de alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

“Me comprometo a ser porta-voz [da Zona Franca de Manaus]. O ministro [Paulo Guedes] sempre apoiou a ZFM, de quem também esperamos apoio. Temos que buscar equilíbrio e existe um trabalho incansável para que a gente industrialize o Brasil”, declarou a secretária, fazendo a política da boa vizinhaça. No fim do encontro, ela saiu sem falar com a imprensa.

A ‘facada nas costas’, no entanto, não demorou muito para acontecer. No dia seguinte, uma sexta-feira de carnaval, a equipe econômica de Guedes anunciou a redução linear do IPI, sem excepcionalizar os produtos fabricados no PIM.

Desde então, a “porta-voz” nunca mais deu as caras em terras amazonenses e as duas reuniões seguintes do CAS aconteceram de forma remota, fato incomum e injustificado pelo Ministério da Economia.

Ao conduzir, pela segunda vez, uma reunião do CAS, no mês de abril, Daniella Consentino se manteve em silêncio ao ser cobrada pelos empresários quanto ao cumprimento da promessa de que defenderia a Zona Franca de Manaus dos ataques à continuidade do modelo. Menos de uma hora após o início da reunião virtual, a transmissão foi encerrada subitamente e sem qualquer explicação. O corte do sinal veio após pronunciamentos de três conselheiros em tons de cobrança à representante do governo federal perante à Suframa.

Texto: Lucas Raposo

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