A imprensa internacional acompanhou, com especial atenção, o discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), nesta quinta-feira (22) na Cúpula de Líderes sobre a Questão Climática. Entre os destaques, grande parte dos veículos ressaltou as contradições entre o discurso do líder brasileiro, que prometeu eliminar o desmatamento ilegal até 2030, e a realidade de recordes de queimadas e desmatamentos na Amazônia.
Matéria publicada no site da agência Reuters, por exemplo, lembrou que “a mais ambiciosa meta já traçada até o momento pelo presidente brasileiro”, que é de neutralizar as emissões de carbono no país até o ano de 2050, é uma resposta às pressões do novo governo norte-americano por ações ambientais efetivas, após anos de alinhamento com as políticas do ex-presidente Donald Trump.
“Bolsonaro procurou se alinhar estreitamente com os Estados Unidos sob o ex-presidente Donald Trump, que não criticou a política ambiental do Brasil, apesar de um grande aumento no desmatamento da floresta amazônica e incêndios. O governo Biden parece ter forçado um realinhamento nas relações ao colocar o meio ambiente no centro das negociações diplomáticas Brasil-EUA nas últimas semanas”, diz o texto.
A matéria, assinada pelos jornalistas Jake Spring e Lisandra Paraguassu, conclui informando que “o desmatamento da Amazônia brasileira atingiu, sob a gestão Bolsonaro, o nível mais alto em 12 anos, com uma área devastada equivalente a 14 cidades de Nova Iorque”.
El país
Já o jornal El País apontou as contradições do discurso de Bolsonaro. O texto cita a ambiciosa meta de reduzir as emissões de gás carbônico em 43% até 2030, mas também destacou que os 28 meses de mandato do mandatário brasileiro são marcados por retrocessos na área ambiental e pelo desmonte de organismos de controle.
“Ao longo desse período, seu Governo boicotou ações de fiscalização do Ibama na Amazônia, reduziu seu Orçamento, estimulou o garimpo ilegal e desmoralizou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que faz o monitoramento de queimadas. O desmatamento da Amazônia bateu recordes e registrou importantes aumentos em 2019 e 2020 —em 2021”, diz a publicação.
O texto, assinado pelos repórteres Felipe Betim e Gil Alessi, inicia enfatizando que “o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, usou nesta quinta-feira seus três minutos de discurso para exaltar o avanço de Governos anteriores na questão ambiental”.
BBC News
Já a BBC News Brasil destacou que, pressionado pela imagem profundamente abalada pelo aumento do desmatamento na Amazônia nos últimos anos, Bolsonaro prometeu fortalecer os órgãos ambientais do país, “duplicando os recursos destinados a ações de fiscalização”.
Reportagem: Lucas Raposo
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