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domingo, 16 de maio de 2021

‘De pires na mão’ na Cúpula do Clima, Bolsonaro desprezou bilhões do Fundo Amazônia

Suspenso desde 2019, após mudanças no Ministério do Meio Ambiente, Fundo financiado pela Noruega e Alemanha contribuiu com com quase R$ 3,1 bilhões em 10 anos.

22 de abril de 2021

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Fundo Amazônia suspendeu o repasse de verbas a projetos ambientais em 2019, após mudanças no Ministério do Meio Ambiente (Foto: Reprodução)

Ao mesmo tempo em cobra ajuda financeira internacional para auxiliar o Brasil a “enfrentar o desafio de melhorar a vida dos mais de 23 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia“, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) esquece que, desde 2019 o governo federal despreza as verbas do Fundo Amazônia, mecanismo bancado pelos governos da Noruega e da Alemanha para o financiamento de projetos de proteção da região.

Durante seu discurso na Cúpula de Líderes sobre a Questão Climática, na manhã desta quinta-feira (22), o chefe do governo brasileiro defendeu a solução do “paradoxo amazônico”, ou seja, o gigantesco abismo entre a grande riqueza natural da região e os baixíssimos Índices de Desenvolvimento de seus habitantes, como “condição essencial para o desenvolvimento sustentável da região”.

Para isso, Bolsonaro pediu ajuda de países, empresas, entidades e pessoas, como forma de aprimorar a governança da terra e tornar realidade a bioeconomia, “valorizando efetivamente a floresta e a biodiversidade”.

“Diante da magnitude dos obstáculos, inclusive financeiros, é fundamental poder contar com a contribuição de países, empresas, entidades e pessoas dispostas a atuar de maneira imediata, real e construtiva na solução desses problemas. Neste ano, a comunidade internacional terá oportunidade singular de cooperar com a construção de nosso futuro comum”, disse o presidente brasileiro.

Fundo Amazônia: R$ 3,1 bilhões em 10 anos

O que Bolsonaro se esquece, no entanto, é que esta ajuda não só já existia como foi desprezada pela sua gestão.

Após contribuir com quase R$ 3,1 bilhões entre 2008 e 2018, a Noruega, maior financiadora do Fundo Amazônia, suspendeu em 2019 os repasses de verbas, após uma série de mudanças unilaterais promovidas na gestão do Ministério do Meio Ambiente, como a extinção de comitês.

Em seguida, a Alemanha, que no mesmo período contribuiu com R$ 200 milhões, também anunciou a suspensão dos recursos destinados a programas de financiamento paralelos, por causa do aumento do desmatamento e das queimadas no Brasil.

Na época, os valores suspensos pelos dois países somaram o montante de € 35 milhões (cerca de R$ 227 milhões).

“O Brasil não precisa”

A condição dada, tanto pela Noruega como pela Alemanha, para a retomada dos repasses era a redução dos desmatamentos ilegais e queimadas na Amazônia. Mas, ao invés de promover esforços nesse sentido, Bolsonaro preferiu debochar dos antigos parceiros.

“A Noruega não é aquela que mata baleia lá em cima, no Polo Norte, não? Que explora petróleo também lá? Não tem nada a oferecer para nós. Pega a grana e ajuda a Angela Merkel a reflorestar a Alemanha”, disse Bolsonaro em 2019, após o anúncio da suspensão dos repasses feitos pelo governo norueguês.

O mesmo tom foi adotado após a Alemanha também cancelar o envio do dinheiro. “Ela [Alemanha] não vai mais comprar a Amazônia, vai deixar de comprar a prestações a Amazônia. Pode fazer bom uso dessa grana. O Brasil não precisa disso”, debochou o presidente brasileiro.

Noruega não descarta retomada, mas cobra ações

Em entrevista à agência de notícias Reuters no último dia 14 de abril, o ministro do Meio Ambiente da Noruega, Sveinung Rotevatn, afirmou que o país só ira retomar os repasses caso o governo brasileiro implementar, de fato esforços reais no sentido de reduzir o desmatamento da Floresta Amazônica.

“As condições para a reabertura e a disponibilização destes fundos é a diminuição substancial do desmatamento e um acordo sobre a estrutura de governança do Fundo Amazônia”, afirmou Rotevatn.

Reportagem: Lucas Raposo

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