O superintendente-geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Virgílio Viana, avaliou que o Governo Brasileiro errou ao cobrar cooperação internacional antes de tomar medidas eficazes para a redução do desmatamento, principalmente porque tanto os EUA quanto União Europeia e demais países participantes da Cúpula de Líderes pelo Clima esperavam que o presidente Jair Bolsonaro apresentasse resultados concretos da nossa política ambiental.
“O problema é que o governo não dá mostras convincentes de que tem vontade política de tomar medidas capazes de reduzir o desmatamento. O enfraquecimento de instituições essenciais para reduzir o desmatamento, como Ibama, ICMBio, Incra, Funai e Polícia Federal é uma mostra clara disso”, afirma Virgílio.
Ele cita também como exemplo relevante da falta de resultados a paralisação do Fundo Amazônia, bem como a posição de conflito do Governo Federal em relação às organizações da sociedade civil, sempre marcada por acusações sem fundamentos. “Além da briga com a ciência, sempre descredibilizando as instituições de pesquisa”, afirmou.
Para Virgílio Viana, reduzir o desmatamento como prometido vai custar “dinheiro, inteligência, capacidade de gestão e vontade política”, uma necessidade que o governo parece não ter vontade de suprir a julgar pelos últimos dois anos.
“O que nos resta é pressionar o Governo Federal para que desperte para o óbvio. Dependemos da floresta em pé para assegurar a manutenção do regime de chuvas do Brasil, que alimenta nossos rios para geração de energia hidrelétrica e para o abastecimento urbano de água, além de irrigar a nossa produção agropecuária”, resumiu.
Texto: Gerson Severo Dantas
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