quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Ministério criou com urgência app 'TrateCOV' para lançar em Manaus

Plataforma que recomendava indiscriminadamente remédios sem eficácia comprovada para tratar a Covid-19 foi desenvolvida com celeridade e logo em seguida retirada do ar.
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O aplicativo TrateCOV, do Ministério da Saúde (MS), lançado em Manaus no dia 11 de janeiro de 2021, pelo então ministro da pasta, Eduardo Pazuello, em cerimônia com a presença do governador Wilson Lima (PSC), foi preparado com urgência pelo Governo Federal. É o que revela uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo desta quinta-feira (10).

Uma troca de e-mails internos do Ministério da Saúde mostra uma rápida mobilização da pasta para deixar logo pronto o aplicativo experimental três dias antes do lançamento oficial na capital do Amazonas. A cidade na ocasião enfrentava uma crise de desabastecimento de oxigênio nos hospitais públicos agravada pela segunda onda da pandemia da Covid-19.

O TrateCOV, que recomendava o uso de cloroquina, ivermectina e azitromicina para pacientes com Covid-19, ficou no ar até o dia 21 de janeiro, dez dias após ser lançado. A plataforma disponibilizada para médicos foi retirada após um suposto ataque de hacker, conforme informou no mês passado em depoimento à CPI o ex-ministro Eduardo Pazuello. A informação foi contradita pela secretária de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde do MS, Mayra Pinheiro, a “Capitã Cloroquina”, que falou em “extração indevida de dados”.

Os e-mails em que a Folha de S. Paulo teve acesso foram reproduzidos pela Polícia Federal em inquérito sigiloso que investiga supostos crimes de Eduardo Pazuello na resolução da crise de oxigênio no Amazonas, em janeiro.

Ainda conforme a Folha, o inquérito foi aberto por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal), em atendimento a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República). Demitido do ministério em março, Pazuello perdeu o foro privilegiado e as investigações foram transferidas para o âmbito da Justiça Federal no DF.

A Polícia Federal investiga no inquérito, além das suspeitas de crime na omissão com o oxigênio, o desenvolvimento de uma plataforma eletrônica para ofertar indiscriminadamente cloroquina e outras drogas sem eficácia para a Covid-19.

E os e-mails trocados entre servidores do Ministério da Saúde no dia 8 de janeiro deste ano comprovam a urgência que a pasta tratou o desenvolvimento do TrateCOV. Neste dia, em um intervalo de pouco mais de duas horas, um coordenador do Datasus (Departamento de Informática do SUS) conseguiu ter sua solicitação da criação de uma URL (um endereço na internet), a partir do redirecionamento de uma URL já existente, atendida com celeridade para colocar para funcionar o aplicativo.

A Folha informa que entrou em contato com o Ministério da Saúde, mas a pasta não respondeu os questionamentos da reportagem até a publicação da matéria.

Da Redação, com informações do jornal Folha de S.Paulo

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