sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Metas antigas e falta de ousadia, diz ex-líder da WWF na Amazônia

Professor da Universidade de São Paulo, Cláudio Maretti diz que o mundo esperava mais do Brasil após a perda da liderança na agenda ambiental e climática.
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Para Maretti, Brasil precisaria ter sido mais ousado na definição de política ambiental

O ex-líder da Iniciativa Amazônica da organização não-governamental WWF, Cláudio Maretti, considerou que o presidente Jair Bolsonaro apresentou pouquíssimos compromissos com a agenda ambiental e climática na apresentação que fez, na quinta-feira (22), na Cúpula de Líderes sobre a Questão Climática. Do que apresentou na quinta-feira, a base foi firmada pelo Brasil no Acordo de Paris, em 2015, em declarações voluntárias que são tradicionalmente atacadas pelo próprio governo atual.

“Dos compromissos novos, destaco a duplicação do orçamento para os órgãos fiscalizadores e a antecipação da neutralidade de carbono, em termos de emissões. No resto, é o que já estava previsto (por governo passados)”, disse Maretti, que foi presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio).

Para o ambientalista, faltou ao presidente assumir compromissos mais audaciosos e atender ao chamado feito pelos novos líderes mundiais da agenda ambiental, até porque o País perdeu a liderança que tinha nessa agenda.

Mas tratando dos compromissos novos, Cláudio Maretti avalia que o encaminhamento deles precisa ter uma mudança do rumo adotado até hoje. Ele cita como exemplo a transferência de recursos destinados aos órgãos de controle ambiental para as Forças Armadas. “As Forças Armadas não são preparadas para combater crime ambiental, além do mais o emprego delas é caro e se na duplicação isso continuar, não vai dar certo. Emprego das forças em crimes ambientais deve ser pontual, em ações de controle apenas”, defendeu.

Sobre a antecipação da neutralidade climática, o ambientalista sentiu falta de números, metas e ações imediatas que possam minorar, nos dias atuais, problemas como desabastecimento de água, que geram danos ecológicos graves para pessoas e para o agronegócio brasileiro. “Nós já sofremos consequências da mudança climática. O desabastecimento de água em certas regiões, e chuvas que causam enchentes em outras, são elementos frequentes e menos previsíveis por conta da mudança climática agora”, afirma.

Maretti também destaca que, das metas já estabelecidas no Acordo do Paris e reafirmadas no discurso do presidente, a gestão dele tem feito tudo para que elas não sejam atingidas. Ele cita como exemplo a redução nas áreas protegidas, que garantiram ao longo da década passada a redução em um terço do desmatamento na Amazônia e propiciaram, igualmente, a redução das emissões de gases do efeito estufa. Um outro ponto é a relação ruim com comunidades tradicionais e indígenas da região, que viram ser abandonadas políticas públicas e projetos de apoio por parte do governo federal.

Texto: Gerson Severo Dantas

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