quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Ernesto Araújo jogou 'batatas quentes' no colo de Eduardo Pazuello

Ex-chanceler jogou para o Ministério da Saúde todos os problemas registrados no enfrentamento da Covid, desde a opção por não comprar vacinas até falhas no socorro a Manaus.
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O vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP), disse, ao final do depoimento do ex-chanceler Ernesto Araújo, nesta terça-feira (18), que todas as falas dele jogaram no colo do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello a responsabilidade pelo fracasso e omissões do governo Jair Bolsonaro no combate a pandemia da Covid.

“Vejo que há um processo de abandono de Pazuello, por isso peço que ele venha aqui falar a verdade”, disse Rodrigues, numa referência ao fato do ex-ministro ir depor, nesta quarta-feira (19), às 9h, amparado por uma liminar do Supremo Tribunal Federal garantindo-lhe o direito de ficar calado.

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), reforçou a percepção de Randolfe Rodrigues ao afirmar que a todo momento Ernesto Araújo disse que foi orientado pelo ministério de Pazuello. Ele se referia a temas como ingresso no consórcio Covax/Facility, da Organização Mundial da Saúde, quando o Brasil optou por comprar lotes de vacinas suficientes apenas para imunizar 10% da população, quando tinha direito a comprar lotes para imunizar 50% da população.

Outro tema que Ernesto Araújo jogou na conta de Pazuello foi o socorro a Manaus durante a crise de desabastecimento de oxigênio. O ex-chanceler disse que seguiu as orientações do Ministério da Saúde e apenas atendeu questões técnicas diplomáticas.

Mesmo posicionamento teve Ernesto Araújo ao ser questionado sobre as sete ofertas de vacinas feitas pela farmacêutica Pfizer. Um dos destinatários da carta enviada pelo principal executivo da empresa ao presidente Jair Bolsonaro e a outras seis autoridades era o embaixador do Brasil em Washington, Nestor Forster. Ernesto disse que foi informado pelo subordinado sobre a carta, mas considerou que era um assunto do Ministério da Saúde.

Texto: Gerson Severo Dantas

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