quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Da bancada, só Átila e Silas estão sem definição sobre futuro partidário

Três senadores e seis deputados federais da bancada do Amazonas já sabem o que vão fazer na eleição de outubro. Somente os deputados Átila Lins e Silas Câmara ainda negociam.
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Dos 11 membros da bancada do Amazonas no Congresso Nacional apenas dois, os deputados federais Átila Lins (PP) e Silas Câmara (Republicanos), seguem com algum tipo de indefinição eleitoral e, por isso, permanecem negociando com partidos e propondo alianças com outros grupos e políticos.

Os três senadores têm a situação definida, faltando pequenos acertos para anunciar que rumos tomarão até outubro. Omar Aziz (PSD) é candidato a reeleição, já fechou o apoio de um candidato a presidente, Lula (PT), e segue com conversas avançadas com o governador Wilson Lima (União Brasil) e o prefeito David Almeida (Avante), a quem poderá ceder a indicação do primeiro suplente de sua chapa.

O senador Eduardo Braga (MDB) definiu que será candidato, mas espera o melhor momento para anunciar qual posto disputará: governo do Estado ou vice numa eventual chapa com Amazonino e Arthur para o Senado. O senador e Amazonino tem um acerto para analisar pesquisas de intenção de votos no primeiro e no segundo turno para fechar a aliança.

O senador Plínio Valério (PSDB) dava sinais desde o ano passado que gostaria de ser candidato ao Governo do Estado, mas encontrava barreiras postas no caminho pelo presidente do Diretório Estadual do partido, Arthur Neto. “A corda vai esticar e manda no partido quem tem mandato”, disse em entrevista à TV RealTime1.

Há duas semanas a corda esticou e, aparentemente, rompeu para o lado do senador, que agora tem dois caminhos pela frente: sair do partido ou ficar até as eleições, ver Arthur perder a disputa para o Senado e aí sim conquistar a liderança do partido.

Deputados federais

Dos oito deputados federais, seis já estão “cobertos e alinhados” para a eleição. Vice-presidente da Casa, Marcelo Ramos saiu do PL com a entrada do presidente Jair Bolsonaro e do grupo dele no Amazonas, e acertou a filiação ao PSD, de Omar Aziz. Com Marcelo e Sidney Leite juntos, o PSD espera manter as duas vagas ao construir uma chapa em que cada um terá, segundo a estimativa otimista, mais de 100 mil votos cada.

Os deputados bolsonaristas Capitão Alberto Neto e Delegado Pablo Oliva fizeram movimentos diferentes, mas com o mesmo sinal. Alberto Neto deixou o Republicanos, liderado no Amazonas até o momento por Silas Câmara, e ingressou no PL, onde ao lado de Alfredo Nascimento tentará renovar o mandato. Pablo Oliva optou por ficar no União Brasil, posto que era filiado ao PSL, e fará dupla com o secretário Municipal de Educação, Pauderney Avelino, também para garantir duas vagas na Câmara Federal.

José Ricardo Wendling (PT) será o grande puxador de votos da federação formada por PT, PCdoB e PV, que estima-se elegerá dois deputados federais: o próprio Zé Ricardo e a ex-senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB). Há ainda a chance do PSB, do deputado estadual Serafim Corrêa, entrar na federação, mas isso não mudaria o plano político aqui no Amazonas.

Por fim, quem também está com o futuro partidário e eleitoral definido é o deputado federal Bosco Saraiva (Solidariedade). Como ele revelou com exclusividade a TV RealTime1, em julho, a opção será disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e liderar a campanha do deputado estadual Ricardo Nicolau ao governo do Estado.

Situação complicada

Dos indefinidos, a situação mais complicada é a de Silas Câmara. Ao longo deste ano ele tentou atrair para o Republicanos, braço partidário da Igreja Universal do Reino de Deus, lideranças evangélicas que pudessem ajudá-lo a conseguir o quociente eleitoral necessário para garantir-lhe a reeleição.

No entanto, pastores-parlamentares como os vereadores João Carlos, que é da Universal, e Marcel Alexandre, do Ministério Internacional da Restauração, tem sinalizado que vão tomar outros rumos. Com isso, Silas estuda o ingresso no PP, que já tem Átila Lins e o ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro Filho.

É da confluência de interesses destes três nomes que surge a indefinição para o décano dos deputados federais amazonenses. Adail negocia com a direção nacional do Republicanos para ter o comando do partido no Amazonas, tirando o lugar de Silas Câmara. Assim, o ex-prefeito ficaria livre para formar uma chapa que o beneficiasse, principalmente acumulando votos nos principais colégios eleitorais do interior.

Com um candidato assim ao seu lado, Silas pode ir para o PP, onde Átila teria um reforço para a própria candidatura. Se nada disso vingar e sem a companhia pela primeira vez em 40 anos de vida pública do irmão, o deputado estadual Belarmino Lins, Átila sabe que não poderá ficar sozinho no PP porque assim não alcançaria o quociente eleitoral necessário para confirmar a volta à Brasília.

A opção para Átila são duas, ambas arriscadas: Avante, do prefeito David Almeida, que formou uma chapa fortíssima à Câmara Federal, e o PL, onde já estão Alberto Neto e Alfredo Nascimento, considerados grandes puxadores de votos.

Texto: Gerson Severo Dantas

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