quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Cabine de cruzeiro ou quarto de hotel? Sem opções, Governo Federal aposta em navios para COP30

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Os transatlânticos ficarão atracados no porto de Outeiro, em Belém, e estarão disponíveis para as delegações da COP30. (Foto: Divulgação)

A cidade de Belém, no Pará, está se preparando para receber a COP30, a Conferência das Partes da ONU sobre mudanças climáticas, que ocorrerá entre 5 e 22 de novembro de 2025.

No entanto, a falta de infraestrutura hoteleira na cidade levou o governo federal a contratar dois navios de cruzeiro para suprir a escassez de leitos disponíveis para as delegações internacionais.

Os navios escolhidos são o Costa Diadema, com capacidade para 4.500 hóspedes, e o MSC Seaview, que pode acomodar até 5.000 passageiros.

Esses transatlânticos ficarão atracados no porto de Outeiro, em Belém, e estarão disponíveis para as delegações da COP30 desde a véspera do evento até um dia após o término da conferência.

O uso de navios de cruzeiro reflete a tentativa do governo de garantir a hospedagem necessária para a quantidade de participantes estimados, considerando que a infraestrutura hoteleira local não é suficiente para atender a essa demanda.

Com 18 mil vagas disponíveis na cidade e a projeção de que o evento receberá entre 40 mil a 50 mil pessoas, a falta de leitos levou até mesmo motéis de Belém a se prepararem para acomodar os participantes da COP30.

Além dos navios, o governo está construindo 400 quartos na Vila de Líderes, que será o local de hospedagem das delegações oficiais. Também serão disponibilizados hotéis, casas e apartamentos para abrigar os participantes.

O porto de Outeiro, onde os navios ficarão atracados, passará por melhorias de infraestrutura, incluindo a duplicação do terminal hidroviário de Belém, que funcionará como ponto de recepção para as delegações.

A medida visa melhorar a logística de chegada e saída dos participantes, garantindo a fluidez do transporte entre os navios e os demais espaços do evento.

Infraestrutura de Belém e investimentos estaduais

Apesar das soluções de hospedagem temporária, os desafios de infraestrutura em Belém são uma preocupação constante.

A cidade enfrenta problemas recorrentes de saneamento básico, drenagem e mobilidade urbana, fatores que têm gerado dificuldades nas áreas periféricas, especialmente nas que são mais próximas aos canais urbanos.

O governo estadual do Pará está investindo de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões em obras para resolver esses gargalos, incluindo melhorias no sistema de drenagem e o saneamento de áreas mais afetadas.

Essas obras são vistas como essenciais não apenas para a realização da COP30, mas também para melhorar a qualidade de vida da população local a longo prazo.

O governo federal também está investindo em infraestrutura de transporte, como a duplicação de rodovias e ampliação de acessos ao porto.

Expectativas para a COP30

A COP30 será um dos maiores eventos climáticos do mundo, com a participação de representantes de mais de 190 países.

Além das negociações diplomáticas, o evento terá um papel central nas discussões sobre preservação ambiental, financiamento climático e sustentabilidade global.

O evento será realizado no Brasil, em uma região de importância simbólica e estratégica: a Amazônia, um dos maiores biomas do planeta.

A realização da COP30 no Brasil representa uma oportunidade significativa para o país em termos de visibilidade internacional e de avanço nas negociações ambientais, além de ser um momento crucial para a implementação de acordos sobre a crise climática.

A agenda de financiamento climático, com a meta de arrecadar US$ 1,3 trilhão, será uma das prioridades da conferência, embora ainda faltem soluções práticas para atingir essa meta.

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