terça-feira, 22 de setembro de 2026

Café, impacto e floresta marcam encontros da bioeconomia amazônica na COP30 em Belém

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Roda de conversa sobre bioeconomia na Bem Cafeinado com produtores, empreendedores e representantes de iniciativas da Amazônia durante a COP30.
Produtores, empreendedores e organizações da Amazônia participam de roda de conversa sobre bioeconomia na Bem Cafeinado, durante a COP30, em Belém.

Durante a COP30, em Belém, iniciativas instaladas fora das zonas oficializadas do evento têm reunido produtores, empreendedores e organizações que atuam diretamente na sociobioeconomia.

No bairro Reduto, a Bem Cafeinado, espaço criado por Liane Dias, promove encontros sobre negócios sustentáveis com atores que participam do ecossistema de impacto.

Segundo Liane, a proposta é aproximar quem trabalha diariamente com cadeias produtivas da floresta. “A ideia é conectar parceiros importantes com quem está realmente envolvido com a bioeconomia amazônica. Essa integração evita versões distantes da realidade sobre mudanças climáticas e sociobioeconomia”, afirmou.

Em uma das rodas de conversa, Paula Macedo — gestora de portfólio da Amaz Aceleradora, coordenada pelo Idesam — detalhou os desafios para acessar capital filantrópico e privado.

Empreendedores ligados ao café

O debate reuniu produtores e empreendedores ligados ao café, cujo cultivo enfrenta perdas causadas pela seca e pelas altas temperaturas.

“O capital filantrópico está cada vez mais escasso e não resolve sozinho os problemas sociais e ambientais. Na Amaz, trabalhamos com um fundo que mistura recursos filantrópicos e privados para apoiar negócios que já atuam na Amazônia Rural. Com esse fundo, avaliamos mais de 500 iniciativas e hoje contamos com 16 ativos no portfólio”, explicou.

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Outra frente ligada ao Idesam também esteve presente: a Zôma, lançada durante o FIINSA COP30. O programa busca apoiar empreendedores, pesquisadores e negócios comunitários ou tecnológicos que trabalham com economia de floresta em pé. A iniciativa foi apresentada por Renato Rebelo, líder da Zoma.

“A Zoma apoia quem está no início da caminhada, com ideia, protótipo ou produto ainda sem espaço de mercado. A intenção é preparar essa base para crescer em um ambiente econômico que valoriza a Amazônia viva”, disse Renato.

A estrutura funciona como uma venture builder amazônica, oferecendo mentorias, suporte técnico e administrativo, apoio em áreas jurídicas e financeiras e conexões com investidores.

Café selvagem

O encontro também contou com relatos de produtores da Cooperativa Mista de Agricultura Familiar do Polo Barreta (Coopermab), em Vigia de Nazaré, município reconhecido como a capital do tucupi e ponto histórico das primeiras mudas de café no país. Os agricultores levaram a experiência com o café selvagem encontrado na região.

“São árvores centenárias no nosso território. A cooperativa começou informalmente em 2021 e hoje reúne 50 famílias que atuam na pesca artesanal e no cultivo de frutas, legumes e hortaliças. Estamos trabalhando para inserir o café na produção, porque hoje só temos as árvores ancestrais dentro da floresta, sem manejo”, relatou Maria Souza, integrante da Coopermab.

A cooperativa já fornece polpa de bacuri para a Aruanas, negócio criado por Luise Lima, que desenvolve produtos feitos com ingredientes amazônicos.

A iniciativa surgiu quando a empreendedora percebeu que os supermercados de Belém exibiam prateleiras com itens importados, enquanto sabores regionais permaneciam ausentes.

“Existem coisas que não cabem na embalagem. A Aruanas já contribui com a recuperação de 30 mil metros de áreas degradadas por meio de sistemas agroflorestais, além de colocar o sabor da nossa terra nas prateleiras”, afirmou Luise.

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