Enquanto as negociações climáticas seguem nos espaços oficiais da COP30, em Belém, a economia da floresta se move com força própria em outros endereços da cidade.
Um exemplo disso é a Casa Niaré, recém-inaugurada na Rua Bernal do Couto, bairro Umarizal, que nasce como um hub de negócios, cultura e formação voltado ao fortalecimento de indígenas, ribeirinhos, extrativistas e quilombolas.
O espaço conecta saberes ancestrais, inovação e empreendedorismo em iniciativas que unem impacto socioambiental e geração de renda sustentável.
Com loja, galeria e área colaborativa, a Casa Niaré é um ponto de encontro para formação, comercialização, trocas culturais e articulação entre lideranças da floresta, investidores, organizações e empresas comprometidas com a economia regenerativa.
A iniciativa é liderada por empreendedores amazônicos e parceiros do ecossistema regional, como Tucum e Mazô Maná — negócios de impacto acelerados pela Amaz —, além das marcas Urucuna e Da Tribu.
Jornada Niaré
Durante a COP30, o espaço lança a Jornada Niaré, programa de mentoria voltado a empreendedores indígenas e comunitários, oferecendo apoio em gestão, comercialização, comunicação e certificações.
Segundo Amanda Santana, fundadora da Tucum e diretora criativa da Casa Niaré, a proposta consolida uma rede que atua há anos na valorização dos povos da floresta.
“A Casa Niaré vem como um legado da COP30. Mais do que um espaço, queremos criar uma comunidade que vai liderar a sociobioeconomia indígena, mostrando o valor da floresta em pé”, afirmou.
Iniciativas conduzidas por povos da floresta têm ganhado protagonismo no Brasil e no mundo, com modelos de negócios sólidos, inovadores e baseados em cadeias produtivas sustentáveis. Essas iniciativas contribuem diretamente para manter a floresta em pé, gerar renda e fortalecer os territórios.
A Casa Niaré conta com o apoio da Amaz Aceleradora de Impacto, coordenada pelo Idesam, que investe e acompanha negócios sustentáveis na Amazônia rural.
Para Gabriela Souza, líder de Novos Negócios do Idesam e gestora da Amaz, o projeto simboliza o enraizamento da economia de impacto nos territórios.
“A Casa é uma estratégia de fortalecimento desses impactos, com foco no protagonismo de empreendedores ainda subrepresentados em programas de fomento e apoio técnico”, destacou.
Programação da COP30 na Casa Niaré
Entre os dias 13 e 15 de novembro, o espaço sediará rodas de conversa e encontros temáticos com até 40 participantes.
Nesta quinta-feira (13/11), às 10h, o painel “Interseções Carbono e Bioeconomia” discutirá como o mercado de carbono pode fortalecer comunidades e territórios.
Na sexta-feira (14/11), às 9h, o debate “Contratos Éticos para a Sociobioeconomia na Amazônia” abordará práticas justas entre empresas e comunidades, seguido do encontro “Mercados e Investimentos”, das 14h às 16h, que reunirá empreendedores e fundos de impacto.
A agenda se encerra no dia 15, com o painel “Borracha Nativa da Amazônia”, sobre inovação e expansão da cadeia produtiva da borracha como ativo estratégico regional.
Mais que um endereço físico, a Casa Niaré surge como uma plataforma de conexão entre povos da floresta e o mercado, reafirmando que a sociobioeconomia é um caminho concreto para um futuro sustentável e inclusivo.
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