A sete meses da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá de 10 a 21 de novembro em Belém (PA), um levantamento mostra que metade da população brasileira não sabe que o país sediará a COP30 na Amazônia em 2025
A pesquisa, realizada pelo instituto Opinion Box a pedido do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), órgão ligado à Presidência da República, ouviu 3.266 pessoas em todo o território nacional. A margem de erro é de 1,7 ponto percentual, com intervalo de confiança de 95%.
Apesar de o Brasil estar prestes a sediar o mais importante fórum climático do mundo, e pela primeira vez em uma floresta tropical, o desconhecimento sobre o evento é significativo, especialmente entre brasileiros das classes C, D e E e moradores de regiões fora da Amazônia Legal.
O estudo mostra que o nível de informação é mais alto entre homens (58%), pessoas das classes A e B (58%) e residentes da região Norte (69%), onde está localizada Belém, sede da COP30.
Diante desse cenário, o relatório recomenda que o governo antecipe e intensifique os esforços de comunicação, com foco em ampliar o alcance das mensagens sobre a conferência, principalmente entre os públicos que ainda desconhecem a sua realização.
Amazônia é símbolo nacional, mas ainda mal compreendida
Ao perguntar aos brasileiros quais lugares melhor representam a identidade do país, a Amazônia foi a resposta mais citada, com 53%. Em seguida aparecem Rio de Janeiro (36%), praias (33%), São Paulo (30%), Pantanal (22%), Brasília (16%) e cidades do interior (15%).
O dado revela a centralidade da floresta na percepção coletiva da imagem nacional, mas contrasta com o baixo grau de conhecimento sobre a COP30, que ocorrerá justamente no coração da Amazônia.
Brasil visto como animado e exótico, mas pouco confiável
A pesquisa também buscou entender como o Brasil é percebido no exterior. Segundo o levantamento, 76% dos estrangeiros têm interesse em visitar o país para conhecer a Floresta Amazônica, e 75% afirmam que as atividades de preservação ambiental também motivam essa escolha.
Ainda assim, o Brasil é descrito no relatório como um “amigo de fim de semana”: alguém animado e divertido, que leva às melhores aventuras, mas que raramente aparece às segundas-feiras, uma metáfora para a visão de país vibrante, mas inconsistente ou instável.
Sentimentos ambíguos sobre o Brasil persistem internamente
O estudo também traz reflexões sobre como os próprios brasileiros veem o país. Para 46% dos entrevistados, o Brasil é “doente, mas com potencial de cura”. Outros 34% consideram a nação “saudável”, enquanto 20% a classificam como “muito doente” e 3% acreditam que não há qualquer possibilidade de recuperação.
Quando questionados sobre os sentimentos que o país desperta, os resultados também revelam uma polarização: 45% dizem sentir “esperança”, mas 34% citam “frustração”, seguidos por “tristeza” (25%), “vergonha” (25%), “orgulho” (12%), “alegria” (11%) e “indiferença” (7%).
Apesar da divisão emocional, 44% dos brasileiros enxergam o país como trabalhador. O desejo mais citado é que o Brasil passe a ser associado a atributos como justiça, competência e eficiência, um sinal de que, apesar das críticas, há espaço para reconstruir a confiança coletiva na identidade nacional.
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