Depois de receber apenas 39,6% das 101 mil doses da CoronaVac esperadas, Manaus deverá ficar sem imunizantes contra a Covid-19 já na próxima semana. O mesmo deve acontecer nos municípios do interior ainda antes do final deste mês.
O Instituto Butantã, que produz as vacinas em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, ainda aguarda a chegada do princípio ativo para a fabricação das doses, o chamado Insumo Farmacêutico Ativo, que é importado da China, que ainda não tem previsão de entrega.
Segundo especialistas, sem este insumo, há possibilidade de a produção da vacina ser interrompida em território nacional.
Matéria-prima preocupa
Durante coletiva no Palácio dos Bandeirantes em São Paulo nesta segunda-feira (18), o presidente do Instituto Butantã, Dimas Covas disse estar preocupado com chegada da matéria-prima.
“Essa matéria-prima precisa chegar para não parar o processo de produção”, explicou.
Por meio de nota enviada ao RealTime1, o Instituto Butantan informou que tem um acordo de receber da Sinovac o equivalente a 40 milhões de doses da CoronaVac.
O contrato do Butantã com o Ministério da Saúde prevê o envio de 46 milhões de doses da Coronavac para o Sistema Único de Saúde (SUS) até o dia 30 de abril, a um custo de R$ 2,6 bilhões.
De acordo com o jornal O Estado de S. PauloA primeira parcela teria 6 milhões de doses importadas e 2,7 milhões de doses nacionais. A segunda autorização para uso emergencial, cujo pedido à Anvisa foi anunciado por São Paulo nesta segunda-feira, se refere já às doses nacionais.
Ainda segundo o jornal, o acordo prevê que, até o fim de fevereiro, mais 9,3 milhões de doses, aí todas de produção nacional, sejam enviadas ao ministério. Em março, serão 18 milhões. No mês de abril, o Butantã se comprometeu em enviar as 9,9 milhões de doses restantes.
Confira a nota na íntegra:
“O IB tem um acordo de receber da Sinovac o equivalente a 40 milhões de doses em IFA. Até o momento, recebemos 4,8 milhões de doses em insumos, que já estão envasados e prontos, aguardando registro emergencial da Anvisa. De qualquer maneira, o IB está dentro do cronograma firmado em contrato com o Ministério da Saúde. Das 8,7 milhões de doses acordadas para entrega até 31 de janeiro, 6 milhões já foram disponibilizadas no último domingo”.
Vacina de Oxford
Além da dificuldade na importação de matéria-prima, o governo federal diz encontrar resistência para a compra de imunizantes prontos.
O País ainda aguarda a liberação de 2 milhões de doses da vacina produzida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca.
Na semana passada o governo brasileiro chegou a enviar um avião para a Índia, na tentativa de comprar as vacinas, mas não obteve liberação por parte das autoridades indianas.
Rodrigo Maia pede audiência
Diante da possibilidade de os estoques de vacinas chegarem a zero no país, o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), uma solicitou para esta quarta-feira (20) uma audiência com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming.
O objetivo do encontro é discutir o empasse para a importação dos insumos.
Reportagem: Lucas Raposo
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