Ao conduzir, pela segunda vez, a reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS) e ser cobrada pelos empresários quanto ao cumprimento da promessa de que defenderia a Zona Franca de Manaus (ZFM) de ataques à continuidade do modelo, novamente a Secretária Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, Daniella Consentino, se manteve em silêncio. Menos de uma hora após o início da reunião virtual do CAS, a transmissão foi encerrada subitamente e sem qualquer explicação. O corte do sinal veio após pronunciamentos de três conselheiros em tons de cobrança à representante do governo federal perante à Suframa.
A 303ª reunião ordinária do CAS foi transmitida por meio das redes sociais da Suframa na manhã desta quinta-feira (28). O encontro foi sucinto, algo inédito para as discussões em que os empresários analisam a submissão de pretensos projetos industriais ao Polo Industrial de Manaus (PIM).
Após a aprovação da pauta, Daniela e o superintendente da Suframa, Algacir Polsin, não comentaram sobre o número de projetos aprovados nem sobre a previsão de investimentos e geração de empregos decorrentes dos projetos que receberam o aval para o desenvolvimento nos próximos três anos.
Empresários cobram ‘defesa’ à ZFM
Durante pronunciamento, o vice-presidente da Federação da Indústria do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, disse que a preocupação, no momento, é o ‘tsunami’ ameaça desabar sobre a ZFM, ao se referir sobre os decretos de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O empresário cobrou Daniela em relação à promessa de que seria defensora da ZFM, palavra emitida durante a reunião do CAS em fevereiro deste ano, quando assumiu o cargo de secretária especial.
“Não somos contra o que está sendo feito (pelo Ministério da Economia). Tudo o que pedimos é que preservem os nossos direitos, a vantagem comparativa da ZFM, que está na Constituição. Gostaríamos de contar com a sua boa vontade. A senhora nos deixou alegre quando disse que a partir daquele momento (reunião do CAS em fevereiro) seria defensora da ZFM. Todos acreditamos nisso. Acreditamos que o bom senso vai prevalecer”, disse Azevedo.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria, Ricardo Miranda, também demonstrou preocupação quanto aos reflexos da redução do IPI na redução dos empregos no PIM. Ele também pediu maior atenção à ZFM por parte da secretária.
“A classe trabalhadora do Amazonas está muito preocupada com a manutenção da ZFM e dos empregos. Queremos que os empresários continuem investindo no PIM e que os empregos sejam mantidos. Para isso, é necessário o diálogo e medidas que não afetem o polo industrial. Esperamos que a senhora seja uma porta-voz do trabalhador amazonense para que sejamos exitosos no desenvolvimento do estado”, externou o empresário.
O secretário municipal do Trabalho, Empreendedorismo e Inovação, Radyr Júnior, também se pronunciou em defesa da ZFM.
“O modelo ZFM é importante para Manaus. Estamos irmanados com o governo do estado no intuito de tentar diálogo e mostrar que esse modelo é exitoso para o país e para o mundo. É necessário o engajamento de todos nessa luta”, disse.
Papel de ‘vocalizar e manter diálogo’
A única palavra destinada em resposta ao pleito dos conselheiros, registrada pela secretária especial Daniela Consentino, foi de que anotou os pedidos e de que dará o encaminhamento.
“Tomei nota dos encaminhamentos e certamente faço esse papel de vocalizar e manter amplo diálogo com todo o setor produtivo e com todas as regiões. Tivemos ampla reunião com toda a equipe da secretaria para aprofundar o diálogo e buscar soluções”.
Secretária fugiu da imprensa
Na primeira reunião do CAS que presidiu, no dia 24 de fevereiro, um dia antes da publicação do primeiro decreto que reduziu as alíquotas do IPI, Consentino também não respondeu aos questionamentos da impresa sobre a questão e se limitou a dizer que seria “porta-voz” dos interesses do PIM em Brasília – promessa que vem sendo sistematicamente descumprida pela secretária conhecida como “Paulo Guedes de saias”.
Texto: Priscila Caldas
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