quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Saraiva diz que Salles fez falsa perícia em madeira em prol de criminosos

O delegado da Polícia Federal foi demitido da superintendência no Amazonas um dia após ter enviado ao STF uma notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente.
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O delegado da Polícia Federal (PF) e ex-superintendente da corporação no Amazonas, Alexandre Saraiva, disse que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, fez uma “pseudoperícia” na madeira apreendida em operação da PF.

O delegado foi ouvido, na tarde desta segunda-feira (26), pela Comissão de Legislação Participativa da Cãmara Federal.

“Ele [Ricardo Salles] foi até a área, fez uma ‘pseudoperícia’. De 40 mil toras, olhou duas e disse que conferiu. Que a princípio estava certinho, que as pessoas apresentaram escrituras”, disse.

Segundo Saraiva, o ministro marcou para voltar ao local uma semana depois, quando receberia a documentação necessária das pessoas envolvidas. O delegado explicou que, quando a PF finalmente recebeu os documentos que solicitava desde o ano passado ao órgão ambiental do Pará, em uma reunião com a participação do ministro do Meio Ambiente, “aquilo se mostrou uma fraude imensa, onde se buscava iludir a autoridade policial”.

“Eu entendi como correto encaminhar notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal, apontando aquele fato”, afirmou.

O ex-superintendente da PF afirmou, ainda, que mais de 70% da madeira apreendida não foi reivindicada. E, por isso, questionou como Salles pôde garantir que “estava tudo certo” com o material apreendido. Além disso, lembrou que o ministro chegou a criticar a operação em entrevistas à imprensa, colocando-a em dúvida.

“O ministro fez uma inversão. Tornou legitima a ação dos criminosos, e não do agente publico. Então, em linhas gerais, foi isso que nos motivou a fazer a notícia-crime”, finalizou.

Na denúncia, Saraiva pede que as condutas de Salles e do senador Telmário Mota (PROS-RR) sejam investigadas por atrapalhar as medidas de fiscalização ambiental e por patrocinar interesses privados.

Ao STF, o delegado cita uma apreensão de mais de 200 mil metros cúbicos de madeira ilegal no fim de 2020 e alega que os dois tentaram prejudicar as investigações do caso. Um dia depois de enviar a notícia-crime ao STF, o delegado foi substituído no cargo pelo delegado Leandro Almada.

Fonte: UOL

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