terça-feira, 16 de julho de 2024

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Reajuste da Ambev pode desencadear novos aumentos, avaliam empresários

Abrasel afirma que a Ambev dita uma referência de preços no mercado e que o anúncio de reajuste abre portas para que as outras cervejarias também decidam aumentar valores.
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reajuste preço

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes seccional Amazonas (Abrasel-AM) prevê que o reajuste no preço da cerveja, anunciado pela Ambev para entrar em vigor nesta sexta-feira (1), poderá desencadear novos aumentos no preço das bebidas produzidas por outros fabricantes, prejudicando ainda mais o setor. A associação afirma que o reajuste, embora compreensível, é indesejável.

“O reajuste proposto pela Ambev abre as portas para que as outras cervejarias façam o mesmo. Há uma referência de preços no mercado ditada pela Ambev. Quando a empresa aumenta o valor, as concorrentes acompanham a decisão”, disse o presidente da Abrasel-AM, Fábio Cunha.

Segundo o presidente, a elevação nos preços acontece no momento em que os bares e restaurantes tentam recuperar as perdas registradas durante o período da pandemia. Ele afirma que em média 37% dos estabelecimentos cadastrados na associação ainda operam no prejuízo e ressalta que o reajuste anunciado pela cervejaria, embora compreensível em função da alta no valor dos insumos e do dólar, não é desejável e nem bem recebido.

“O setor está hiper pressionado por aumento de custos na luz, no aluguel, nos alimentos, no combustível, o que afeta o delivery, por exemplo. O segmento não suporta novo aumento sem repassar para o consumidor, o que acreditamos que vai acontecer instantaneamente”, afirmou.

A reportagem questionou a Ambev sobre os preços estabelecidos pela fabricante para a comercialização no Amazonas. Mas, a fabricante se restringiu em responder que “faz, periodicamente, ajustes nos preços de seus produtos e as mudanças variam de acordo com as regiões, marca, canal de venda e embalagem”.

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Aumento nos preços preocupa donos dos bares

A proprietária do Bar do Armando, Ana Cláudia Soeiro Soares, disse que vê o aumento no preço da bebida com preocupação porque os reajustes acontecem em cadeia, afetando, o consumo. Ela conta que ainda tenta se recuperar dos prejuízos gerados pela pandemia, quando o bar funcionou de forma intercalada por oito meses.

“Mesmo com o estabelecimento fechado tínhamos custas com salários de funcionários, água, luz, contador, impostos. Estamos tentando recuperar o que perdemos durante a pandemia. Vejo o aumento no preço da cerveja com muita preocupação porque o reajuste é em cadeia, subiu gasolina, gás, queijo, calabresa e demais itens. O risco é de a população deixar o lazer para segundo plano porque precisará priorizar os gastos”, comentou.

O proprietário do bar Ferrugem Rock Gourmet, Thiago Santana, também nota que o movimento ainda não foi retomado como o esperado. Ele disse que antes da pandemia a ocorrência de reajustes em preços não impactava tanto nos resultados da empresa. Enquanto atualmente, a queda na demanda é sentida imediatamente. O problema, segundo o empresário, está na falta de recursos, na redução do poder de compra do consumidor.

“É um momento em que as pessoas têm menos dinheiro, diferente do cenário de anos anteriores em que a economia seguia em bons índices. Hoje, mesmo que o bar prolongue o horário de funcionamento até às 3h o movimento ainda é insatisfatório. Antes, tínhamos lucro de 50% do valor da bebida, enquanto hoje, esse lucro foi para 40%. Com tantos aumentos acontecendo, além da alta do dólar, seria quase impossível não haver reajuste no preço da cerveja”, comentou.

Texto: Priscila Caldas

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