Pelo segundo mês consecutivo, houve queda na produção do Polo Industrial de Manaus (PIM), de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No cenário nacional, a indústria local teve o pior desempenho entre 14 estados. Mas esse resultado é motivo de preocupação?
Apesar da queda em julho, o Amazonas mantém crescimento na produção. No acumulado dos últimos 12 meses, a indústria amazonense cresceu 5,7%, e é o segundo com maior volume de atividade industrial no Brasil.
Segundo o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), os dados precisam ser interpretados com cautela para que se tenha conclusões adequadas, sobretudo pela sazonalidade.
Em julho, a produção do estado foi a pior do país, caindo -8,8% em comparação com junho. Mas a produção industrial, em 2023, vem superando a de 2022, especialmente devido à alta na fabricação de motocicletas, segmento que atingiu níveis recordes dos últimos nove anos.
Em maio, houve um pico de produção considerado sazonal pelo IBGE, dificultando a comparação mensal.
No entanto, 2023 mostra contrastes significativos entre os setores industriais.
O destaque positivo é a produção de Duas Rodas, enquanto o destaque negativo é a queda na produção de bens de informática, como celulares, notebooks, computadores e tablets.
A retração nesse segmento se explica pela diminuição de benefícios assistenciais, que em 2022 impulsionaram as vendas de celulares.
Na avaliação da indústria, esse movimento é preocupante e pode sinalizar perda da atratividade dessas operações no PIM, embora isso ainda não afete os dados de emprego.
Atividades industriais afetadas no PIM
Comparando-se julho deste ano com julho de 2022, sete das onze atividades industriais pesquisadas mensalmente pelo IBGE no Amazonas tiveram uma queda na produção.
A maior redução foi observada na “Fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos” (-32,0%), seguida por “Fabricação de bebidas” (-21,6%) e “Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos” (-16,3%).
No entanto, quatro atividades tiveram uma produção positiva na mesma comparação, com destaque para “Fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis” (34,4%) e “Fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores” (17,2%).
Média móvel trimestral em queda
A média móvel trimestral em julho registrou um preocupante -1,0%, marcando o segundo mês consecutivo de queda nos indicadores da pesquisa mensal da indústria.
Esse cenário lança dúvidas sobre o futuro próximo da produção industrial no Amazonas e destaca a importância de medidas para reverter essa tendência negativa.
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