A Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 ouvirá, nesta quinta-feira (15), o procurador da Davati Medical Suplly no Brasil, Cristiano Alberto Carvalho, que é considerado suspeito por ser o mentor da proposta de venda de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca ao governo do brasileiro. Foi Cristiano quem indicou o representante comercial Luiz Paulo Domiguetti para negociar com o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, que, por sua vez pediu propina de US$ 1 por cada dose contratada.
De acordo com o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD), recai sobre o procurador da Davati a iniciativa de Dominguetti em denunciar Roberto Dias na entrevista concedida à Folha de São Paulo, que resultou em sua demissão no Ministério há duas semanas.
Cristiano também é apontado como o responsável por induzir Dominguetti a apresentar um áudio do deputado federal Luiz Miranda (DEM-DF) supostamente negociando a compra de vacinas. O deputado diz que negociava compra de luvas e que a tratativa aconteceu bem antes de haver qualquer vacina disponível no mercado.
A farmacêutica AstraZeneca negou que tenha representantes para a venda de vacinas e destacou que já disponibilizava seus imunizantes para o governo brasileiro por meio de parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Oitivas na retomada dos trabalhos, em agosto
Omar Aziz também confirmou, na sessão desta quarta-feira (14), que os depoimentos do tenente-coronel Marcelo Blanco, acusado de levar Dominguetti para um jantar com Roberto onde a propina foi cobrada, e do reverendo Amilton Gomes de Paula, que levou Dominguetti para uma reunião com o ex-secretário-executivo do Ministério, Élcio Franco, serão transferidos para o retorno dos trabalhos da comissão, em agosto.
Um depoimento muito esperado, que deverá ser transferido para agosto também, é o do deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), acusado de pressionar o ministério para contratar a Precisa Medicamentos e pagá-la de maneira incorreta com base em contrato fraudulento. Ricardo Barros é o líder do governo Bolsonaro na Câmara e teve o nome citado pelo deputado Luiz Miranda durante depoimento no qual disse ter avisado o presidente sobre as suspeitas do negócio com a Precisa, que cobrou um sobrepreço de 50% por cada dose da vacina Covaxin.
Texto: Gerson Severo Dantas
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