O ex-ministro da Saúde, o médico Henrique Mandetta, usou a revolução do Taleban no Afeganistão, que derrubou o governo de Ashraf Ghani, com as ameaças feitas a Democracia brasileira pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Nesta segunda-feira (16), o médico destacou que a democracia sofre abalos e retrocessos não só no Brasil, mas no mundo.
“Tempos difíceis para o Afeganistão. Principalmente para as mulheres. A Democracia sofre abalos e retrocessos no mundo”, escreveu o ex-ministro, cotado para disputar a eleição presidencial do próximo ano.
Mandetta destaca que no Brasil a situação pode caminhar para episódios como o que o mundo assistiu pela TV e pela internet, com a retomada de poder no Afeganistão pelo Taleban 20 anos após a entrada das tropas norte-americanas no país.
“E por aqui [no Brasil], [a democracia] constantemente ameaçada. É preciso estar atento e forte. Fanatismo mata!”, alertou o médico.
De ex-ministro a crítico do Governo
Após ser demitido do Ministério da Saúde (MS), no dia 16 de abril de 2020, o ex-ministro Henrique Mandetta tem se posicionado cada vez mais contrário ao governo de Jair Bolsonaro. Nos 30 dias que antecederam a demissão, Mandetta e Bolsonaro tiveram muitos atritos, a maioria relacionados ao enfrentamento da pandemia de Covid-19.
Uma das recentes posições contrárias ao ex-patrão, Mandetta destacou que, no dia em que o Brasil havia perdido 1,3 mil vidas para a Covid-19, Bolsonaro parou o Brasil para fazer uma live, que, segundo ele, foi “irresponsável e mentirosa”. “Pelo menos, conseguiu unir partidos contra a ideia de voto impresso”, afirmou.
A live que Mandetta se refere é a que o presidente Bolsonaro realizou, por meio de suas redes sociais – e que foi retransmitida pela TV Brasil – sobre o voto impresso auditável. Na ocasião, Bolsonaro defendeu a ideia de que há provas sobre fraude nas urnas eletrônicas nas Eleições de 2018, em que ele próprio foi eleito, mas só falou e não apresentou provas.
O episódio foi considerado pela oposição e até ministros do Supremo Tribunal Federal e Tribunal Superior Eleitoral como um “ataque a democracia”.
O presidente sabotou todas as campanhas de comunicação para ajudar a população a se orientar em uma pandemia. Mas ontem, dia em que perdemos 1300 vidas, parou o país para fazer uma live irresponsável e mentirosa. Pelo menos, conseguiu unir partidos contra a ideia de voto impresso
— Henrique Mandetta (@lhmandetta) July 30, 2021
Revolução do Taleban no Afeganistão
O Taleban, grupo extremista, havia perdido o controle do poder sobre cidades no Afeganistão após o atentado do 11 de setembro, nos Estados Unidos da América. No entanto, desde o último domingo, dia 15 de agosto, o grupo retomou o poder após a saída total das tropas americanas do Afeganistão depois de 20 anos de ocupação.
A formação do Taleban remonta aos anos 90, quando mujahideens afegãos e guerrilheiros islâmicos se uniram para combater a ocupação soviética no Afeganistão. A própria CIA (Agência de Inteligência Central) dos Estados Unidos é apontada como uma das apoiadoras da formação do grupo na época.
Texto: Isac Sharlon
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