quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Junho prevê depoimentos de Campêlo, empresários e especialistas

Segundo mês de trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid prevê oitivas do secretário de Saúde do Amazonas, o empresário Carlos Wizard e especialistas em ciência.
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A Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado divulgou, nesta terça-feira (18), o cronograma de depoimentos da primeira semana de junho, que será aberta logo no dia primeiro do mês com a oitiva do secretário de Estado da Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo.

Ele vai ser inquirido sobre o enfrentamento das duas ondas da doença no Amazonas, a crise do abastecimento de oxigênio em Manaus, em janeiro deste ano, e sobre a compra de respiradores inadequados pelo governo e que é alvo de uma denúncia da Procuradoria-Geral da República no Superior Tribunal de Justiça.

No dia seguinte (2) será a vez do ex-secretário-Executivo do Ministério da Saúde Élcio Franco, o número 2 da pasta na gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello. Élcio Franco, que é coronel do Exército e ficou famoso por usar um broche com a figura de uma faca na caveira, dada a quem fez o curso de Comandos do Força Terrestre. Élcio Franco também será questionado porque, segundo o ex-presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, realizou tratativas com ele desde maio de 2020 para ofertar 70 milhões de doses de vacinas em um processo que só rendeu um contrato em março deste ano. No dia 3 não haverá sessão devido ao feriado de Corpus Christi.

O terceiro depoimento será concedido pelo empresário Carlos Wizard e foi marcado para o dia 8 de junho. Wizard, um apoiador do presidente Jair Bolsonaro e defensor ardoroso do uso da cloroquina e da ivermectina no tratamento da doença, será inquerido sobre a articulação mantida por ele e um outro empresário bolsonarista, Luciano Hang, dono das lojas Havan, para a compra de vacinas por empresas particulares.

A segunda semana de junho será dedicada a oitiva de convidados, uma condição bem diferente de testemunhas ou investigados. Os convidados serão médicos e cientistas especializados em temas da Covid e correlatos e que vão esclarecer temas que não são do cotidiano da CPI. Dois destes convidados já estão definidos: a médica Nise Yamaguchi, uma defensora do uso da cloroquina no tratamento da Covid, e Atila Iamarino, doutor em virologia que previu, no início da pandemia, a morte de um milhão de brasileiros caso o governo brasileiro não promovesse ações de isolamento social, adoção de medidas não farmacológicas (uso de máscaras, alcool em gel) e busca por vacinas.

Texto: Gerson Severo Dantas

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