quarta-feira, 23 de setembro de 2026

CPI pressiona e Pazuello sofre para manter versões; terça tem Mayra Pinheiro

Ex-ministro reforçou as versões tidas como contraditórias dadas no primeiro dia de depoimento e deve enfrentar consequências no MP; sem habeas corpus, Mayra depõe terça.
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O depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello à Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado encerrou por volta das 16h desta quinta-feira (20), após dois dias marcados por contradições e mal entendidos sobre assuntos como a compra de vacinas, aplicativo TratCov, crise de oxigênio em Manaus e as posturas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra medidas de distanciamento social, uso de máscaras e álcool em gel.

Pazuello repetiu quase todas as versões que apresentou no primeiro dia de depoimento, feito ontem (19), quando foi acusado pelo relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), de mentir ao menos em 14 oportunidades.

O ex-ministro chegou a pedir que os senadores tivessem um tratamento mais condescendente com ele e não o acusassem por “mentir”.

“Pode ter contradições, incorreções, mas não mentiras”, chegou a dizer Pazuello sobre seu depoimento, antes de dizer que estava sentado ali como “um homem comum”.

Os 23 senadores inscritos não pouparam Pazuello, que só contou com a condescendência dos senadores da base governista. Com isso, Renan Calheiros, a senadora Leila Barros (PSB-DF) e os senadores Rogério Carvalho (PT-SE) e Alessandro Vieira (Cidadania-AL) pediram que o Ministério Público Federal fosse comunicado sobre as supostas mentiras contadas pelo ex-ministro à CPI e que fosse analisada a conveniência de denunciá-lo por falso testemunho.

A vez da ‘Capitã Cloroquina’

Com o fim do depoimento de Pazuello, as atenções da CPI voltam-se agora para o depoimento da médica Mayra Pinheiro, a ‘Capitã Cloroquina’, que será ouvida na sessão da próxima terça-feira (25). Mayra é secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde.

Os senadores vão inquiri-la sobre a recomendação do Ministério da Saúde para que os pacientes usassem o chamado kit Covid, integrado por medicamentos sem comprovada eficácia no tratamento da Covid-19.

Mayra também deve ser responsabilizada pela operacionalização do aplicativo TratCov, lançado em Manaus no dia 6 de janeiro. O aplicativo, segundo Pazuello, foi uma ideia dela, mas que entrou em operação sem estar pronto.

Pazuello também disse que o aplicativo foi hackeado, mas não explicou como a TV Brasil e a imprensa amazonense fizeram reportagens sobre o programa que recomendava o tratamento precoce com cloroquina e ivermectiva para crianças e até grávidas.

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