O depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello à Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado encerrou por volta das 16h desta quinta-feira (20), após dois dias marcados por contradições e mal entendidos sobre assuntos como a compra de vacinas, aplicativo TratCov, crise de oxigênio em Manaus e as posturas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra medidas de distanciamento social, uso de máscaras e álcool em gel.
Pazuello repetiu quase todas as versões que apresentou no primeiro dia de depoimento, feito ontem (19), quando foi acusado pelo relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), de mentir ao menos em 14 oportunidades.
O ex-ministro chegou a pedir que os senadores tivessem um tratamento mais condescendente com ele e não o acusassem por “mentir”.
“Pode ter contradições, incorreções, mas não mentiras”, chegou a dizer Pazuello sobre seu depoimento, antes de dizer que estava sentado ali como “um homem comum”.
Os 23 senadores inscritos não pouparam Pazuello, que só contou com a condescendência dos senadores da base governista. Com isso, Renan Calheiros, a senadora Leila Barros (PSB-DF) e os senadores Rogério Carvalho (PT-SE) e Alessandro Vieira (Cidadania-AL) pediram que o Ministério Público Federal fosse comunicado sobre as supostas mentiras contadas pelo ex-ministro à CPI e que fosse analisada a conveniência de denunciá-lo por falso testemunho.
A vez da ‘Capitã Cloroquina’
Com o fim do depoimento de Pazuello, as atenções da CPI voltam-se agora para o depoimento da médica Mayra Pinheiro, a ‘Capitã Cloroquina’, que será ouvida na sessão da próxima terça-feira (25). Mayra é secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde.
Os senadores vão inquiri-la sobre a recomendação do Ministério da Saúde para que os pacientes usassem o chamado kit Covid, integrado por medicamentos sem comprovada eficácia no tratamento da Covid-19.
Mayra também deve ser responsabilizada pela operacionalização do aplicativo TratCov, lançado em Manaus no dia 6 de janeiro. O aplicativo, segundo Pazuello, foi uma ideia dela, mas que entrou em operação sem estar pronto.
Pazuello também disse que o aplicativo foi hackeado, mas não explicou como a TV Brasil e a imprensa amazonense fizeram reportagens sobre o programa que recomendava o tratamento precoce com cloroquina e ivermectiva para crianças e até grávidas.
Leia Mais:
- CPI deverá ter relatório preliminar em 30 dias, indica Omar Aziz
- Renan diz que Pazuello ‘mentiu 14 vezes’ e pede checagem oficial na CPI
- Com ‘bis’ de Pazuello na CPI, Capitã Cloroquina vai depor na terça
- Braga pressiona Pazuello para culpar Estado por colapso; SES responde
- Na tentativa de proteger Bolsonaro, ex-ministro cai em contradições
- A crise de Manaus pela ótica de quem deveria ajudar a conter mortes
- Senadora usa documentos oficiais que evidenciam mentiras de Pazuello
- Senador diz que ‘autonomia’ de Pazuello é ‘obediência a Bolsonaro’