Pressionado pelo senador Randolphe Rodrigues (Solidariedade-AL), que é vice-presidente da CPI da Covid, o ex-ministro Eduardo Pazzuello voltou a entrar em contradições na tentativa de ‘blindar’ o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao responder sobre a demora na tomada de decisões necessárias para mitigar os problemas da pandemia, durante depoimento nesta quinta-feira (20).
Durante os questionamentos, Randolphe falou sobre a proposta de intervenção federal no sistema de Saúde do Amazonas, também comentado pelo senador Eduardo Braga (MDB) mais cedo na sessão. Pazuello disse que houve uma reunião interministerial onde foi decidido que ficaria sob a responsabilidade de cada administração estadual as ações de enfrentamento à pandemia.
O parlamentar questionou então se era competência dos ministros decidir sobre a intervenção federal nas unidades federativas do país, que logo foi respondido por Pazuello.
“O presidente da república estava presente”, esclareceu o ex-ministro.
Randolphe insistiu nas indagações, perguntando a Pazuello se Bolsonaro teria decidido então por não intervir na saúde do Amazonas, quando o depoente limitou-se a responder apenas que “a decisão foi feita nessa reunião”.
A partir disso, o vice-presidente da CPI aconselhou o ex-ministro a falar a verdade, porque “os fatos ditos no depoimento não serão julgados pelos membros do Senado, mas por um juiz”.
“O senhor está claramente protegendo uma pessoa com essas informações: o presidente da República. Tem alguns que estão aqui lhe aconselhando, mas me permita, estão lhe aconselhando mal. Na hora de responder ao inquérito, [eles] não estarão ao seu lado”, reforçou Randolphe.
Bolsonaro não assinou MP para compra da Pfizer
Acerca da demora para criação de medidas necessárias para a compra de vacinas, principalmente a da farmacêutica Pfizer que requeria uma série de normas para a aquisição, Pazuello voltou a dizer que houve divergência jurídica por parte dos ministros para aprovação da MP 1026/21.
Randolphe citou um artigo da proposta que, segundo o parlamentar, sendo executado, resolveria os impasses para dar segurança jurídica para a compra dos imunizantes, apresentando a minuta do texto indicado pelo Ministério da Saúde, que foi subscrito pelo Ministério da Justiça, Casa Civil, Advocacia-Geral da União (AGU) e Controladoria-geral da União (CGU).
Texto: Giovanna Marinho
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