A senadora Eliziane Gama (Cidadania/MA) usou documentos oficiais do Ministério da Saúde para mostrar que o ex-ministro da pasta Eduardo Pazuello mentiu em diversos momentos ao longo do depoimento que presta à Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, nesta quarta-feira (19).
“O senhor está brincando com as nossas caras porque mente sequencialmente”, afirmou Eliziane, antes de mostrar os documentos e provocar a primeira intervenção do representante da Advocacia-Geral da União (AGU) que acompanha Pazuello.
O advogado tentou falar diretamente à senadora, mas foi cortado pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD), que recomendou que o depoente usasse o direito de ficar calado diante da comissão estabelecido em liminar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandoski. E assim foi feito.
Mostrando provas
Eliziane apresentou um documento oficial do Ministério mostrando que havia o interesse oficial na compra da vacina Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, mas que havia sido desautorizado pelo presidente Jair Bolsonaro.
Mais cedo, havia dito que nunca houve a decisão de comprar a vacina e que não levava em conta as falas públicas do presidente. “O senhor diz que não leva a sério essas manifestações do presidente, mas obedeceu no caso da compra da CoronaVac”, disse Eliziane.
Em seguida ela perguntou sobre os motivos do ministério, durante a gestão de Pazuello, não responder ao governo dos Estados Unidos sobre a oferta de um avião capaz de transportar oxigênio para Manaus durante a crise de janeiro. Pazuello disse que essa oferta nunca chegou a ele no Ministério. Eliziane então mostrou um documento oficial do ministério declinando da oferta e expondo as razões pelas quais não aceitava a oferta.
Outra contradição entre as falas de Pazuello e documentos do ministério que ele comandou até 22 de março dizia respeito ao uso da cloroquina no tratamento da Covid-19. O ex-ministro disse que nunca recomendou este uso, mas Eliziane mostrou páginas oficiais do Ministério exatamente orientando o uso. “Essa orientação só foi retirada do canal oficial do ministério no último dia 22 de abril”, disse Eliziane.
Mais contradições expostas
Outras provas de que Pazuello mentiu à CPI e exibidas pela senadora pelo Maranhão, tratavam-se de reportagens da TV Brasil, notícias em canais oficiais do ministério e da Casa Civil lançando a plataforma TratCov, que trazia expressa a recomendação para o uso de cloroquina. Pazuello disse que a plataforma era experimental e nunca deveria ter sido usada.
“Em Manaus foi feita uma apresentação da plataforma, que estava em caráter experimental, mas um homem pegou uma cópia e a partir dai começou a divulgá-la”, contou o ex-ministro.
No entanto as cópias apresentadas por Eliziane mostravam que o TratCov já estava sendo operacionalizado e sendo usado pelo público, com repercussão apresentada em forma de notícias em vários canais oficiais do governo federal.
Texto: Gerson Severo Dantas
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