sexta-feira, 2 de outubro de 2026

"Os festejos de fim de ano, as listas dos 'melhores e piores' e o que vem por aí"

Ao Portal RealTime1, o cientista político Gilson Gil faz um balanço sobre o que existe por trás do desempenho eleitoral de políticos do Amazonas durante as eleições de 2022.
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Réveillon no rio de JAneiro

Em artigo para o Portal RealTime1, o cientista político Gilson Gil faz um balanço do desempenho dos atores políticos do Amazonas entre vitórias e derrotas nas eleições de 2022. Confira:

Neste momento em que os festejos de fim de ano iniciam, começam as listas inevitáveis de “os melhores e os piores”. Há um gosto meio macabro por tais rankings, seja de filmes, jogadores ou atores. Porém, bem pensadas e relativizadas, tais listas podem ser úteis e gerar bons debates.

Pensando na política amazonense, como ficaria essa situação? Quem saiu ganhando e quem perdeu algo em 2022? Inicio com o governador Wilson Lima (UB). Se reelegeu e mostrou, na votação do aumento de impostos, que domina a Assembleia Legislativa. Era um outsider há 4 anos, mas, agora, mostrou maturidade e é um player fundamental do jogo político amazonense.

Além dele, ressalto como um dos políticos com bom desempenho em 2022 o senador Omar Aziz (PSD). Venceu uma dura disputa pelo Senado e ainda conseguiu se firmar como um importante interlocutor do governo federal no Amazonas.

Entra 2023 em alta no jogo local. Além deles, acho interessante citar o prefeito David Almeida (Avante), que apoiou Bolsonaro (PL) e Wilson, sendo que os 2 foram vitoriosos em Manaus. Será seu cargo que estará em disputa, a partir de agora, e ele entra na competição com um cacife alto.

Do lado dos parlamentares recém-eleitos, creio ser bom ressaltar o desempenho de Amom Mandel (Cidadania). Isso, destacando o valor dos que se reelegeram, como Átila Lins (PSD), Capitão Alberto Neto (PL), Sidney Leite (PSD) e Silas Câmara (Republicanos).

Com todas as dificuldades, mostraram que ainda estão atuantes e podem fazer a diferença nas eleições locais. Do lado dos não-eleitos, penso ser relevante citar o desempenho do Coronel Menezes (PL). Ele quase tirou a vaga de Omar e superou em muito os números de Arthur Neto (sem partido).

Encarnou o voto bolsonarista e pode vir forte para 2024, em Manaus. O Senador Eduardo Braga (MDB) perdeu outra vez, seguindo sua tradição de não se eleger sem a máquina. Contudo, o apoio ao PT pode lhe render cargos federais, como um ministério, o que lhe manterá em evidência.

Contudo, além dos vitoriosos, há os derrotados, aqueles que saíram por baixo da eleição. Embora, destaquemos, não há vitórias nem derrotas na política. Creio que o ex-prefeito Arthur Neto, com sua votação inexpressiva, saiu mal de 2022.

Da mesma forma, o ex-governador Amazonino Mendes (Cidadania) não sai bem deste pleito, pois nem ao segundo turno chegou. Os problemas de saúde se mostraram incontornáveis e isso afetou diretamente sua campanha.

Apesar de seu passado glorioso, parece ser uma peça fora do jogo eleitoral. Outros, como Ricardo Nicolau (Solidariedade) e Carol Braz (PDT), perderam, mas mostraram algum fôlego e possuem chances de continuar vivos na política estadual.

Penso ser bom citar três nomes: Alfredo Nascimento (PL), Serafim Corrêa (PSB) e Marcelo Ramos (PSD). Possuem um passado respeitado na política amazonense, todavia, não se elegeram e seu futuro ficou incerto.

Alfredo acumula algumas derrotas e isso pode acelerar uma aposentadoria. Mesmo tendo sido um prefeito bem avaliado, seu desempenho recente não é encorajador. Serafim e Marcelo eram bem cotados para a reeleição, mas o eleitor pensou diferente.

São nomes que continuam vivos para 2024, em uma eleição municipal. Porém, será que ambicionam isso? Será que esperam algum cargo federal, para se reposicionar no cenário regional? São nomes de respeito, mas que, por ora, estão um pouco de lado no jogo eleitoral de 2024.

Em termos gerais, vimos uma queda dos mais velhos, como Amazonino, Arthur e Alfredo. Assim como uma elevação de um mais novo, como Wilson.

Davi é um “novo velho”, pois vem dos tempos de Eduardo, Omar e Melo (outro que o eleitor aposentou, com uma votação bem fraca). Outros, como os próprios Eduardo e Omar continuam vivos nesse horizonte, mostrando alta capacidade de sobrevivência.

Houve uma “troca de gerações”? Não creio, apesar de alguns dos mais antigos terem sido rechaçados pelo eleitor e alguns menos “rodados” terem saído fortalecidos das urnas. É ver como todos reagirão em 2023, sempre tendo em mente a efemeridade das supostas verdades políticas e que os caminhos para 2024 podem ser mais tortuosos do que se pensa.

Por Gilson Gil – Cientista Político

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