terça-feira, 22 de setembro de 2026

Lula anuncia Grupo de Trabalho para dar parecer definitivo sobre BR-319

Grupo de trabalho vai dar 'veredicto' se a recuperação da estrada que liga Manaus a Porto Velho vai acontecer.
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Trecho central da rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho (RO)
Trecho central da rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho (RO)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a criação de um grupo de trabalho para dar um parecer definitivo em relação à rodovia BR-319, que interliga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).

O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (3), durante entrevista a um pool de rádios da Amazônia.

Inicialmente, o presidente foi questionado sobre o assunto por um jornalista de Rondônia. Depois, o presidente voltou a ser perguntado a respeito do tema por Valdir Corrêa, da rádio Difusora do Amazonas.

Lula, então, fez um resgate histórico sobre as tentativas de recuperação da trafegabilidade da estrada e na sequência anunciou a criação do GT “para dar um veredicto final se a gente vai ou não vai fazer e como a gente vai fazer”.

O presidente reforçou que a recuperação da estrada traz questões ambientais sensíveis que estão sob olhares atentos do mundo. Portanto, não é apenas uma questão interna do Brasil e é preciso “muita responsabilidade”.

Ele disse acreditar que a rodovia, com as salvaguardas ambientais garantidas, será um fator importante para o desenvolvimento.

“Eu discuti muito a BR-319. Ela foi uma rodovia que já funcionou e depois ela ficou numa situação muito esquisita, porque ela tem um pedaço pronto de Rondônia até o meio e tem de Manaus até o meio, e tem 400 quilômetros no meio que está totalmente destruído e não funciona há muitos anos”, disse Lula, em referência ao famoso Trecho do Meio.

“Nós tentamos fazer isso [recuperar] de 2007 a 2010. Tinha um problema muito sério porque a questão ambiental é muito crítica nessa parte da Amazônia”, acrescentou.

A decisão sobre a BR-319

“O que nós decidimos agora no PAC [Programa de Aceleração do Desenvolvimento]? Ao invés de a gente colocar, de forma precipitada, ou a gente dizer que não vai colocar, de forma precipitada, o companheiro Rui Costa [ministro-chefe da Casa Civil], que está coordenando o PAC, nós decidimos construir um grupo especial para dar a palavra definitiva: a gente pode ou não pode fazer a 319? Quais são os problemas que a gente vai criar de verdade e o que a gente pode evitar?”, disse o presidente.

Lula afirmou que, em sua opinião pessoal, a recuperação do pavimento da estrada pode ser feito “com muito cuidado”.

“Você pode montar pontos de fiscalização, você pode até colocar gente das Forças Armadas para tomar de conta desse pedaço da estrada, para tomar conta da floresta para evitar que haja transtorno, invasão, ocupação, garimpeiro, madeireiro. Ou seja, o que nós precisamos é dar garantia à sociedade do que a gente vai fazer”, disse.

O presidente explicou porque, na sua avaliação, o tema é “delicado”.

“Porque o mundo hoje está muito exigente, está cobrando muito as coisas. E o Brasil é um grande exportador de alimentos, sobretudo, para o mundo e nós não queremos que haja qualquer veto às exportações brasileiras por conta de uma atitude precipitada nossa. A questão ambiental ganhou muita importância no mundo. A questão do clima ganhou uma importância que você não tem noção”, declarou.

Lula disse que o mundo hoje “só fala na Amazônia” e que, por isso, é preciso responsabilidade.

“Eu acabei de participar de uma reunião com 60 países na Europa, em Bruxelas, [e lá] só se fala na questão do clima, só se fala na questão da Amazônia. Eu vou viajar agora para a África do Sul, na reunião dos Brics [grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China], eu tenho certeza que a Amazônia será o tema. Eu vou viajar para a Índia, na reunião do G20, e eu tenho certeza que a Amazônia será o tema principal”, ressaltou.

“Então, o que nós precisamos é dar garantia, primeiro, ao povo de Rondônia e ao povo do Amazonas que nós vamos tratar com responsabilidade para, se tivermos que fazer essa estrada, fazermos ela com o maior critério de exigência que possa ter para a estrada funcionar. É isso que vai acontecer”, concluiu.

Política compartilhada

O presidente falou ainda sobre outros temas. Ele disse que pretende fazer uma política para a região compartilhada com governadores e prefeitos.

As decisões impostas por Brasília, salientou Lula, podem não refletir a necessidade real dos estados e cidades. O presidente disse que pretende fazer, em breve, uma grande reunião com gestores de todos os municípios amazônicos.

Mais que denunciar, Lula disse que é importante buscar resultados.

“Ao invés da gente punir, a gente premiar aquelas pessoas que fizeram o bem para preservação da nossa fauna, da nossa floresta, da nossa água, para que as pessoas denunciem as queimadas, o garimpo ilegal, os madeireiros ilegais. Acho que vai dar certo”, disse.

Ao citar a reunião da cúpula da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), que inicia no sábado (5), em Belém (PA), o presidente disse que esse é um marco de uma nova relação cooperativa com países fronteiriços da região, sobretudo para o combate ao crime organizado.

Durante a entrevista, Lula disse que “logo, logo”, ainda neste ano, deve vir a Manaus. Nesta sexta-feira (4), ele estará fazendo anúncio de ações em Parintins, em sua primeira viagem ao Amazonas neste terceiro mandato,

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