Mais de oito meses após desabamento de duas pontes na BR-319, que causaram a morte de quatro pessoas no Careiro da Várzea, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) ainda não tem um prazo concreto para restabelecer a infraestrutura na área.
Nesta terça-feira (13), uma audiência pública aconteceu no plenário Ruy Araújo, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), com a presença do superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Luciano Moreira. Esta é a primeira vez que ele vai ao parlamento amazonense, após nove convites.
Ele afirmou que pretende entregar pontes provisórias na BR-19 até outubro deste ano, ou seja, um ano após a tragédia que ocorreu às vésperas do primeiro turno das eleições de 2022. Ainda sob o comando do ex-presidente Jair Bolsonaro, o órgão só agiu após o caso ganhar repercussão nacional.
Mas adotou soluções provisórias e com alto impacto ambiental, como o soterramento de um rio para fazer uma estrada de terra provisória. Assim que a água voltou a subir na região, a travessia provisória ruiu e o trajeto precisou ser feito de balsa, prolongando o transtorno de quem precisa se deslocar pela estrada.
A audiência pública foi solicitada pelo deputado Roberto Cidade (UB) para tratar sobre a demora na reconstrução das pontes sobre o Rio Curuçá e Autaz Mirim. A situação precária da estrada causa prejuízos aos municípios de Autazes, Careiro Castanho, Careiro da Várzea, Nova Olinda do Norte e Manaquiri.
“São pontes rápidas de construir, com estrutura mista de material metálico, madeira e concreto. A gente pretende entregar até outubro, quando encerra o contrato com a empresa que faz as travessias”, afirmou o superintendente.
Apesar da rapidez, ele não explicou o porquê dessa medida ainda não ter sido adotada, até agora. A ponte provisória será de via única e pretende encurtar o tempo de travessia dos veículos terrestres sobre esses rios.
DNIT é questionado
A vice-presidente da Aleam, Alessandra Campêlo, questionou o Dnit sobre a demora para a entrega das obras e expôs sua indignação quanto a busca de uma solução para o problema.
“Essa situação poderia ser classificada com estado de calamidade pública, visto que coloca em risco a vida das pessoas que precisam se locomover, afetando, inclusive a economia dos municípios, gerando desemprego. Precisamos de uma medida mais drástica para tentar resolver esse problema”, disse.
A precariedade das balsas
Ainda durante a audiência, o deputado Comandante Dan (PSC) denunciou o serviços prestados pela empresa que realiza a travessia de balsa, que está prejudicando a população que necessita do serviço para se locomover.
“Prejuízo ao ir e vir, à educação, à economia, à saúde daqueles amazonenses, com prazos não cumpridos, demandas não atendidas e infelizmente ouço ainda que, após nove meses de desserviço, o contrato com empresa que presta o desserviço está prestes a ser renovado, porque ela é a única credenciada: é um absurdo”, declarou.
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