A primeira-dama Janja Lula da Silva afirmou ter visto “projetos incríveis” em comunidades ribeirinhas do entorno de Manaus, durante agenda paralela ao Encontro da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia com a Presidência da COP30, realizado nesta quarta-feira (20/08), na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
O comentário foi dirigido ao presidente da COP30 no Brasil, embaixador André Corrêa do Lago, durante seu discurso na solenidade.
“Eu vi projetos incríveis, embaixador. As mulheres estão liderando pousadas comunitárias, produzindo artesanato, recebendo turistas e transformando a realidade local”, disse Janja, ao citar iniciativas conduzidas por lideranças femininas em comunidades como Tumbira e Nossa Senhora dos Ingleses.
Enviada especial da COP30 para temas relacionados a mulheres, Janja destacou ainda a experiência de escuta com moradoras da floresta e ressaltou a necessidade de políticas públicas que cheguem efetivamente às comunidades.
“A floresta viva não é apenas a floresta em pé. A floresta viva é a floresta com as comunidades vivendo com dignidade”, afirmou.
Protagonismo feminino e ciência acessível
Durante o discurso, Janja destacou a importância de ampliar a participação das mulheres nas mesas de negociação climática. Segundo ela, apenas 20% das cadeiras são ocupadas por mulheres.
“Enquanto não tivermos mulheres sentadas de forma igual nas mesas de negociação, as soluções não vão aparecer”, criticou.
Ela também defendeu que a ciência e a academia precisam encontrar linguagens acessíveis para dialogar com a população.
“Precisamos falar de uma forma que a população entenda. A academia é fundamental, mas deve caminhar junto com os saberes tradicionais e com as necessidades concretas dos povos da floresta”, disse.
Entre os compromissos assumidos, a primeira-dama anunciou que entregará, pessoalmente, a Carta das Mulheres para a COP30 aos líderes internacionais em Belém, repetindo gesto semelhante ao realizado no G20.
“Se me perguntarem o que estou fazendo sentada lá, responderei: estou levando a voz das mulheres que não podem estar”, afirmou.
O encontro
O Encontro da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia com a Presidência da COP30 reuniu mais de 40 instituições de pesquisa, que consolidaram em um documento de 400 páginas as contribuições amazônicas para a agenda global do clima. O relatório será levado à conferência em Belém, em novembro, e contempla propostas em áreas como energia, agricultura sustentável, cidades resilientes, biodiversidade, financiamento e governança climática.
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