terça-feira, 29 de setembro de 2026

Mercado gastronômico digital: influencers de cozinha multiplicam negócios

Pessoas comuns viram na gastronomia uma possibilidade de ganhos extras divulgando receitas. O que seria um hobby passou a ser a principal atividade dos influencers da cozinha
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Quando tinha 16 anos, Otto Vitelleschi precisava de dinheiro para sair com a namorada e pensou em como ter renda.

De família italiana, passou a infância vendo a mãe fazer massas frescas em casa ou grudado na avó, dona de uma padaria em Sorocaba (SP), sua cidade natal.

“A única coisa que eu sabia fazer era comida, então foi nisso que me joguei”, diz.

Em pouco tempo, estava ganhando de R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês vendendo molhos caseiros de porta em porta. O dinheiro para sair com a namorada estava garantido, mas ele enxergou além.

“Aprendi a conversar e vender, aí queria crescer mais, conseguir mais clientes.” Assim, mergulhou nos estudos sobre marketing digital.

“Comecei a publicar três vídeos por semana. Decidi aprender com a jornada.”

Hoje, aos 20 anos, é conhecido como Cheff Otto e acumula mais de 7 milhões de seguidores e 150 milhões de visualizações por mês em redes sociais, entre TikTok, Instagram e YouTube. Ele ensina receitas fáceis e rápidas, de forma irreverente e despojada, em vídeos de um minuto.

Por trás do sucesso estão a equipe própria de roteiristas, editores, prospecção e comercial, e a dedicação constante do empreendedor, que em um ano e meio pesquisou, testou e colocou no ar mais de 250 receitas. “A capacidade de se reinventar é fundamental. A internet é dinâmica, e as pessoas cansam, você não pode ficar parado.”

Além da monetização de vídeos e ações publicitárias, Otto tem uma consultoria de marketing digital e uma produtora audiovisual. Para 2023, pretende expandir para o comércio e, depois, criar franquias de comida.

Cozinha afetiva

Marina Linberger, dona do perfil Cozinha de Gente Moderna, encontrou seu lugar ao sol ensinando a cozinhar de maneira prática e prazerosa, com planejamento e organização.

Além de atuar nas redes sociais, ela desenvolveu o método Cozinha sem Stress, curso digital que já teve 13 turmas e mais de 8 mil alunos. A proposta é que as pessoas aprendam a fazer as refeições da semana toda em apenas duas horas, evitando correria, falta de opção e tempo.

A ideia parte da história familiar de Marina, que vivia fuçando livros de culinária e incrementando receitas. Aos 14 anos, vendo a mãe chegar tarde e exausta do trabalho e ainda tendo de cozinhar para a família, ela assumiu as refeições da noite, fazendo tortas, sopas e pães para o jantar.

“Isso tem muito a ver com o que eu faço hoje”, diz.

Anos depois, formada em design gráfico, mas sem querer atuar na área, ela foi morar em Londres para aperfeiçoar o inglês e procurou emprego em cozinhas. De volta ao Brasil, abriu um bufê em sociedade com a mãe, que manteve por quase cinco anos, período em que cursou gastronomia. Cansada da rotina intensa, foi trabalhar numa grande empresa de alimentos, mas não se adaptou a questões do ambiente empresarial e pediu demissão quando engravidou da primeira filha.

Marina se dedicou ao canal no YouTube Só Penso em Comida por um ano e meio, até aceitar uma nova proposta de trabalho. Porém, outro chamado era mais forte. “Minha segunda filha nasceu e comecei a sentir que precisava deixar um legado maior no mundo.”

No meio da pandemia, resolveu fazer a transição de vez para a internet, reformulando o nome do canal.

“É uma cozinha que liberta as pessoas. Essa vida moderna não é muito justa, especialmente com as mulheres”, explica.

Ela também incentiva a divisão de tarefas, práticas sustentáveis e redução do desperdício, o que gera uma bem-vinda economia financeira.

Fonte: Estadão Conteúdo

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