terça-feira, 22 de setembro de 2026

Igualdade salarial poderia injetar R$ 92,7 bilhões na economia brasileira

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Segundo o 4º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), se as mulheres recebessem os mesmos salários que os homens, R$ 92,7 bilhões a mais seriam injetados na economia nacional.

Atualmente, as mulheres ganham 21,2% menos que os homens em empresas com mais de 100 empregados. A remuneração média feminina é de R$ 3.908,76, enquanto a dos homens chega a R$ 4.958,43.

O levantamento, baseado em dados da RAIS, analisou mais de 19,4 milhões de vínculos trabalhistas entre o segundo semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025.

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A participação feminina no mercado também cresceu: passou de 40% em 2023 para 41,1% em 2025, o que representa um aumento de 7,2 para 8 milhões de trabalhadoras.

Apesar disso, a diferença salarial persiste — especialmente entre mulheres negras e homens não negros, cuja disparidade chega a 53,3%.

Avanços lentos e desafios estruturais

Entre os principais motivos apontados pelas empresas para justificar as diferenças salariais estão tempo de experiência (78,7%), metas de produção (64,9%) e planos de cargos e salários (56,4%).

Em 2025, a fiscalização do MTE realizou 787 ações, com 154 autos de infração emitidos contra empresas que não comprovaram transparência em seus relatórios salariais.

Sancionada em 2023, a Lei da Transparência Salarial (Lei 14.611) obriga empresas com mais de 100 funcionários a divulgar informações sobre igualdade de remuneração.

A norma é resultado de uma articulação entre o MTE e o Ministério das Mulheres, com o objetivo de corrigir distorções históricas e garantir a efetividade do que já está previsto na CLT desde 1943.

Apesar dos desafios, houve crescimento no número de empresas com diferença salarial inferior a 5% entre homens e mulheres — de 16,7 mil para 17,8 mil estabelecimentos em dois anos.

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