O governo federal, por meio do Ministério dos Transportes, está desenvolvendo um plano inédito de fiscalização permanente para as obras de pavimentação da BR-319, rodovia que conecta Manaus (AM) a Porto Velho (RO).
O objetivo é aliar o progresso da infraestrutura ao combate ao desmatamento em áreas sensíveis da Amazônia.
Segundo a Folha de São Paulo, o plano prevê o uso de sistemas eletrônicos de monitoramento, fiscalização presencial e a instalação de dois portais de controle de acesso, que permitirão gerenciar o tráfego de cargas na estrada.
Este modelo de gestão seria complementado pelas ações do Ibama, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal, além de parcerias com o Ministério do Meio Ambiente e o BNDES.
Atualmente, dos 877 quilômetros da BR-319, cerca de 400 permanecem sem pavimentação, concentrados no “trecho do meio”. Apesar disso, a rodovia registra fluxo constante de caminhões que conectam as duas capitais.
A estrada, inaugurada em 1976 e abandonada nos anos 1980, já conta com asfalto em 450 quilômetros, sendo 200 km próximos a Porto Velho e 250 km próximos a Manaus.
O investimento estimado para a obra é de R$ 1,751 bilhão, incluindo a construção de 123 passagens para fauna. O prazo para a conclusão é de 48 meses.
No entanto, o projeto enfrenta oposição de ambientalistas, que alertam para o risco de aumento do desmatamento.
De acordo com o Observatório BR-319, o licenciamento ambiental da pavimentação da rodovia apresenta lacunas, como a ausência de consultas a povos indígenas.
Além disso, áreas próximas à rodovia, como as terras indígenas Kaxarari e Tenharim Marmelos, enfrentam problemas com extração ilegal de madeira.
O governo busca conciliar as demandas de infraestrutura com medidas que garantam a preservação ambiental, apresentando a fiscalização permanente como uma solução inovadora e integrada.
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