terça-feira, 22 de setembro de 2026

Falta de financiamento trava negociações da COP30 e ameaça compromissos climáticos

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Vista aérea de trecho de floresta amazônica com rio sinuoso e áreas de mata contínua.
Trecho da floresta amazônica com rios e ilhas naturais; paisagem integra região de alta biodiversidade e diversidade de sons

As negociações preparatórias para a COP30, que ocorrem neste mês de junho em Bonn, na Alemanha, estão marcadas por impasses relacionados à falta de financiamento climático.

A menos de cinco meses da conferência principal, que será realizada em novembro, em Belém (PA), países alertam que sem recursos adequados será inviável implementar as metas acordadas nas últimas edições do encontro.

Segundo Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, a questão financeira voltou a ser o principal obstáculo dos debates.

“A reunião não começou muito bem. O resultado da última COP foi péssimo, e o fantasma da má conferência voltou a assombrar os negociadores. O tema que não ficou resolvido em Baku foi o de dinheiro, que é fundamental nesse debate de clima”, afirmou em entrevista à Rádio Eldorado.

Países pobres demandam apoio

Astrini explica que o cumprimento das metas climáticas exige investimentos robustos, sobretudo em países em desenvolvimento como o Brasil.

“Sem dinheiro, não se faz nada. É preciso esforço para mudar a matriz energética, implementar novas tecnologias, recuperar áreas degradadas. Tudo isso custa caro. E dinheiro é o que não apareceu na última COP”, reforçou.

Tensão geopolítica interfere

As tensões internacionais também influenciam os debates climáticos. Astrini cita o agravamento de conflitos no Oriente Médio, como a disputa entre Israel e Irã e os ataques recentes dos Estados Unidos a bases nucleares iranianas, como fatores que afetam o ambiente de cooperação entre as delegações.

“É esse mundo em guerra tarifária e bélica que está nas negociações climáticas. E esse clima de agressão entra inevitavelmente nas salas de negociação”, disse.

Além da questão financeira e diplomática, a logística da cidade-sede da COP30 também foi tema de discussões em Bonn.

Delegações estrangeiras manifestaram preocupação com a falta de estrutura hoteleira em Belém para receber os milhares de participantes esperados. Sem uma solução viável, há risco de ausência de representações de alguns países no evento.

Brasil corre contra o tempo

A conferência de Belém é considerada estratégica por representantes do governo brasileiro, que apostam na COP30 como marco da implementação dos compromissos firmados no Acordo de Paris.

No entanto, a falta de recursos e o cenário internacional hostil podem comprometer os resultados esperados.

Para Márcio Astrini, o sucesso da conferência dependerá da capacidade do Brasil e dos demais países em avançar com clareza sobre financiamento climático e soluções logísticas.

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