A vazante dos rios, mais especificamente na extensão do Rio Madeira, compromete o abastecimento de produtos ao comércio local. A redução no volume transportado e os aumentos no tempo do percurso e nos custos operacionais das embarcações tendem a elevar os preços das mercadorias, nos próximos meses, caso o verão siga intenso. A previsão é do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Amazonas (Sindarma).
De acordo com o diretor do Sindarma, Madson Mady, o trecho de maior dificuldade para a navegação, neste período, fica entre Manicoré e Porto Velho (RO), extensão do Rio Madeira. Ele explica que em decorrência da redução no volume das águas o calado (distância da lâmina d’água até a quilha do navio) também reduz, com risco de a embarcação encalhar em banco de areia, se chocar com pedreiras ou troncos, o que pode ocasionar acidentes.
Mady informou que as embarcações reduziram o volume de cargas transportadas em 40% e o percurso que era feito em um dia, agora leva até três dias para ser concluído.
“As passagens do rio estão com lâmina de água muito baixa, ocasionando dificuldades ao trajeto. A capacidade do volume transportado reduz, o custo operacional e de combustível aumenta e consequentemente ocorre o aumento de preços. Esperamos que as chuvas iniciem em outubro favorecendo esse cenário”, comentou.
Comércio prevê aumento nos preços
Segundo o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas (FCDL-AM), Ezra Azury Benzion, o fornecimento de produtos ao comércio poderá ser afetado entre outubro de dezembro caso a vazante siga em expressividade. Há riscos de o consumidor pagar mais caro nas compras de final de ano.
“Embarcações que utilizam rota por Itacoatiara que antes transportavam 40 mil toneladas, só conseguem transportar, agora, 20 mil toneladas. O menor volume de carga gera aumento nos preços. Isso poderá ocorrer de forma atenuada caso tenhamos um fenômeno de vazante recorde, assim como foi a cheia”.
Texto: Priscila Caldas
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