Levantamento do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma) aponta que nos últimos cinco anos o segmento amargou, em média, R$100 milhões em prejuízos, a cada ano. As perdas são decorrentes de assaltos de cargas de combustíveis e demais produtos transportados.
A entidade relata que a situação é agravada a cada ano e pode estar ligada à operação ilegal do garimpo, na região.
O presidente do Sindarma, Galdino Alencar, relata que o problema da insegurança sobre os rios é crônico e acontece em paralelo à atuação dos garimpeiros na extensão do Rio Madeira.
“O garimpo ilegal transformou o Rio Madeira numa ‘terra sem Lei’, aumentando consideravelmente o roubo de combustível nas embarcações petroleiras. É esse combustível roubado que abastece o garimpo ilegal e que fomenta a prostituição infantil, o narcotráfico e outros males”, disse Alencar.
Além dos assaltos, os ‘piratas’ também agridem os tripulantes das embarcações. O sindicato registra ocorrências de trabalhadores que foram mutilados.
Apesar do problema ser crônico, Alencar relata que o poder público não toma medidas enérgicas para solucionar o caso. As empresas precisam arcar com despesas relacionadas à segurança privada, o que também contribui para o aumento dos custos da navegação.
“Os prejuízos advêm de custos com escolta nas embarcações e de pagamentos de cargas roubadas. O transportador paga o valor corresponde ao combustível saqueado diretamente à distribuidora. Geralmente a empresa não tem lucro e ainda precisa arcar com o valor da carga furtada”, esclareceu.
“Outro fator que nos preocupa é que além de assaltos também estão ocorrendo espancamentos e mutilações. Houve um caso de tripulante que teve parte da orelha arrancada pelo assaltante. Isso tem intimidado os trabalhadores, muitos optam em não aceitar o trabalho quando o trajeto é para o baixo Amazonas”, completou.
Ordenamento do rio para a navegação segura
Para o presidente da Associação Brasileira para Desenvolvimento da Navegação Interior (ABANI), Dodó Carvalho, somente a regulamentação viabilizaria o ordenamento do rio e consequentemente, a segurança para o setor.
Carvalho considera que as ocorrências são reflexos da ausência dos órgãos que têm poder de controle do setor.
“Há mais de 15 anos registramos problemas de garimpo ilegal no rio Madeira e nem a Marinha e nem o Ibama, Ipaam ou Polícia Federal se atentaram ou quiseram controlar isso. Já ocorrem inúmeros acidentes envolvendo balsas de transporte de combustível, de cargas em geral, de contêineres, com as balsas garimpeiras”, disse.
Texto: Priscila Caldas
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