quarta-feira, 23 de setembro de 2026

CPI da Covid: Lacerda e Hallal criticam no Twitter declarações e ameaças

Infectologista da Fiocruz Amazônia e epidemiologista da UFPel realizaram estudos onde revelaram que medidas do Governo Federal foram ineficazes e impulsionaram pandemia.
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O infectologista Marcus Lacerda (divulgação)

O pesquisador e infectologista da Fundação Oswaldo Cruz Amazônia (Fiocruz), Marcus Lacerda, que liderou o primeiro estudo no mundo que comprovou a ineficácia da cloroquina para o tratamento de pacientes com Covid-19, usou as redes sociais para ironizar as declarações de senadores governistas que criticam órgãos internacionais e a comunidade científica nas oitivas da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid no Senado. 

Em post desta sexta-feira (25) Lacerda direcionou a mensagem ao colega de área, o epidemiologista e pesquisador da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Hallal. Responsável pelo maior estudo epidemiológico realizado no país, o Epi-Covid, Hallal prestou depoimento na quinta-feira (24) à Comissão Parlamentar e trouxe dados alarmantes de estudos que comprovam a omissão do Governo Federal no enfrentamento à pandemia. 

“Temos muito trabalho de reconstrução pela frente. OMS e sociedades científicas não prestam. Pesquisas brasileiras são superficiais ou assassinas. As melhores revistas científicas são fraudulentas. Os cientistas estão enviesados politicamente. E aí @PedroHallal?”, disse no Twitter o pesquisador amazonense Marcus Lacerda, numa referência a falas do senador Marcos Rogério (DEM/RO).

Lacerda é alvo recorrente dos senadores governistas da CPI da Covid e aliados do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), um defensor ferrenho do uso da cloroquina no tratamento para o coronavírus. Tanto depoentes, caso do o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, quanto senadores, como Luís Carlos Heinze (PP-RS), tentaram desacreditar os resultados do estudo do infectologista da Fiocruz Amazônia sobre os males da cloroquina para casos graves de Covid-19.

Em resposta à Marcus Lacerda no Twitter, o epidemiologista da UFPel revelou estar sofrendo ameaças após depor na Comissão Parlamentar. “Impressionante que perderam de lavada no debate presencial e tiveram que ir para as redes sociais para me atacar. Gatinhos ao vivo e leões de redes sociais”, publicou Pedro Hallal. Assim como Hallal, Marcus Lacerda também já foi ameaçado de morte por bolsonaristas insatisfeitos com o resultado do estudo liderado por ele.

Na última quinta-feira, Hallal afirmou à CPI da Covid, por exemplo, que se o Brasil tivesse adotado medidas de controle como distanciamento/isolamento social e acelerado a vacinação, aproximadamente, 400 mil vidas poderiam ter sido salvas. Ele também declarou que o atraso nas compras dos imunizantes pelo Governo Federal levou à morte desnecessária de pelo menos 95,5 mil pessoas. 

Por fim, o epidemiologista da UFPel ainda recomendou que o país faça um lockdown verdadeiro de três semanas e vacine, ao menos, 1,5 milhão de brasileiros a cada dia. Essa seria uma solução para achatar a curva da pandemia e reduzir a transmissão do coronavírus, conforme Pedro Hallal.

Texto: Diogo Rocha

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