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domingo, 24 de outubro de 2021

Pesquisador do AM aponta mentiras de depoentes na CPI da Covid

Estudo de infectologista Marcus Lacerda foi o 1º no mundo a comprovar ineficácia da cloroquina para pacientes com Covid-19; pesquisa é contestada por aliados de Bolsonaro.

26 de maio de 2021

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Marcus Lacerda sofreu ameaças de morte após publicar resultados do estudo (Foto: Reprodução)

O estudo em Manaus liderado pelo pesquisador e infectologista Marcus Lacerda, que comprovou a ineficácia da cloroquina para o tratamento de pacientes graves com Covid-19, tem sido citado recorrentemente na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid, no Senado. O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em depoimento à Comissão, no dia 19 de maio, classificou como “famigerado” o ensaio clínico realizado no Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz, entre março e abril do ano passado.

Na CPI, o general e aliado do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), ainda afirmou que as mortes de pacientes que participaram do estudo do pesquisador da Fiocruz de Manaus ocorreram devido às “altas dosagens” de cloroquina aplicadas. Uma informação falsa, já desmentida pelo coordenador da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), Jorge Venâncio, ao site “Aos Fatos”.

A Conep analisou as condições do estudo pioneiro comandado por Marcus Lacerda na capital do Amazonas e verificou que a morte de 22 pacientes durante a pesquisa foi em consequência da Covid-19. Desse total que foi a óbito, sete receberam a dosagem alta de cloroquina (12g em 10 dias) e quatro a dose mais baixa (2,7g em cinco dias), conforme explicou Marcus Lacerda ao RealTime1.

“Nosso comitê que sugeriu a parada da alta dose. Mas todos [os pacientes] fizeram o exame de RT-PCR no quinto dia e 85% ainda tinham o vírus Sars-Cov-2. Isso era completamente diferente do estudo da França, que começou tudo isso [sobre a eficácia do tratamento com cloroquina] e que mostrou que 100% dos pacientes não tinham mais o vírus no dia 5. Ou seja, era mentira. Isso eles não comentam, mas está no artigo. Fomos os primeiros do mundo a mostrar isso”, destacou o pesquisador da Fiocruz.

Mais críticas na CPI

E, nesta terça-feira (25), a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, a ‘Capitã Cloroquina’, também dirigiu ataques ao estudo de Lacerda em depoimento à CPI da Covid. Ela, praticamente, repetiu as acusações de Eduardo Pazuello ao afirmar que os pacientes da pesquisa faleceram depois de terem recebidos “doses tóxicas da cloroquina”.

Mayra Pinheiro ainda disse que a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa apenas deu parecer autorizando o estudo de segurança com cloroquina em pacientes graves em Manaus depois que já tinha sido iniciado. Outra informação falsa de uma aliada de Bolsonaro. A Conep deu o aval no dia 23 de março de 2020 e, logo em seguida, o infectologista e sua equipe começaram o experimento com a droga.

O pesquisador da Fiocruz de Manaus supõe que a ‘Capitã Cloroquina’ pode ter confundido os estudos ao fazer essa declaração equivocada na CPI. “Acho que Mayra (Pinheiro) nos confundiu com o estudo da [operadora] Prevent Senior, que não teve aprovação ética [da Conep por ter sido iniciado antes do aval da entidade]”, afirmou Lacerda.

Motivações políticas

Marcus Lacerda também acredita que as críticas do Governo Federal, na figura de Bolsonaro e seus aliados, à pesquisa realizada em Manaus sobre a segurança da cloroquina nos pacientes acometidos por Covid-19 são motivadas por questões políticas. De acordo com o pesquisador, a comprovação científica da ineficácia da droga acabou impactando na expectativa do presidente da República de pressionar o fim das medidas restritivas no País no início da quarentena.

“Acho que precisamos entender o que aconteceu depois de um ano. No início não se sabia de nada, só que a cloroquina tinha ação sobre o vírus em laboratório e que para isso precisava de alta dose. Mas usando isso, os pacientes não toleraram e causou muita arritmia [cardíaca]. Isso que mostramos e a dose baixa não consegue matar o vírus. Simples assim”, completou Lacerda.

Repercussão e ameaças

Por segurança, o comitê do estudo sobre a cloroquina em Manaus encerrou a aplicação da alta dose de cloroquina nos pacientes internados do Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz. A pesquisa foi concluída no dia 5 de abril de 2020 e os resultados que mostravam os riscos desta medicação nos casos graves de Covid-19 foram publicados em um artigo na revista Jama (Journal of the American Medical Association), da Associação Médica Americana, no mesmo mês.

“O estudo foi usado nos EUA pelo NIH [National Institutes of Health, em tradução, Institutos Nacionais de Saúde] para recomendar cautela no uso da droga para Covid. Lá, depois do estudo, a prescrição de cloroquina caiu a quase zero. Médicos ficaram com medo”, disse o infectologista Marcus Lacerda.

A mesma credibilidade conferida ao estudo de Manaus sobre a cloroquina no exterior não ocorreu em parte no Brasil. Lacerda e sua equipe de pesquisa sofreram duras críticas nas redes sociais e até ameaças de morte, conforme relatou.

E a última ameaça direta à Lacerda veio do campo político. O senador Luís Carlos Heinze (PP-RS) pediu que a Polícia Federal investigasse o pesquisador da Fiocruz de Manaus depois de pedir a convocação do mesmo à CPI da Covid afirmando que o estudo teve como objetivo “criminalizar a cloroquina”.

Nova pesquisa

O infectologista Marcus Lacerda está liderando uma nova pesquisa em Manaus que tem ligação no combate à Covid-19. Mas desta vez não é sobre um possível remédio para tratar o vírus. Ele analisará a eficácia da vacina CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, em pessoas que receberam o imunizante na capital.

O estudo é o “CovacManaus”, do Instituto de Pesquisa Clínica Carlos Borborema, e tem como público-alvo trabalhadores em exercício da educação pública e privada e servidores da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM), em exercício, e que atuam em Manaus. Todos com idade de 18 a 49 anos. A meta é identificar se a aplicação da CoronaVac em pessoas com comorbidades terá impacto na prevenção das formas graves da Covid-19 na capital.

“Vamos avaliar a eficácia da CoronaVac em 5.100 vacinados em Manaus. Seguiremos eles por um ano”, explicou Lacerda.

Texto: Diogo Rocha

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