O Brasil está em 96º lugar entre 180 países avaliados no Índice de Percepção da Corrupção (IPC). O país tem 38 pontos, número menor que a média global, que é 43. O levantamento nos leva a um cenário é bem diferente do que é propagado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que afirma que não há corrupção em seu governo.
Segundo o cientista político e presidente da Comissão de Combate à Corrupção da OAB, Carlos Santiago, uma série de fatores pode contribuir para essa estatística, como o descrédito com o vigor das leis brasileiras.
”Há uma sensação de impunidade enorme no Brasil. O atual Congresso Nacional tem contribuído muito para isso, afrouxando leis envolvendo a improbidade administrativa e também a Lei da Ficha Limpa”, comentou o cientista ao RealTime1.
Corrupção mina esperança do brasileiro no país
Ainda em campanha, Bolsonaro levantava a bandeira do combate à corrupção. No entanto, o presidente, desde o primeiro ano do mandato, já viu sua administração envolvida em casos graves de práticas ilícitas. Um dos mais recentes que revelou um gabinete paralelo envolvendo pastores evangélicos e o ministro da educação, Milton Ribeiro.
Santiago acredita que as relações entre agentes públicos e órgãos de controle e/ou membros da sociedade civil pode ser danosa para a manutenção da ética, ele cita o caso do uma possível proteção feita pela Procuradoria Geral da República ao presidente Bolsonaro.
”Os órgãos de fiscalização da sociedade para combater e prevenir a corrupção estão politizados. Como é o caso, por exemplo, do procurador da República Augusto Aras, que tem uma relação muito próxima com o presidente, dificultando a investigação de ações contra o Governo Federal”, destaca.
O especialista frisou ainda que essa interferência política nos órgãos que controlam a aplicação dos recursos públicos levam à sociedade a sensação de que “políticos sempre sairão impunes e que o Brasil seguirá trilhando o caminho da corrupção”.
Voto mais poderoso que a Justiça
A sensação de impunidade, segundo Santiago, deixa a população descrente da renovação na política. E isso pode trazer consequências, como o “abandono do direito ao voto”.
“Isso pode levar os cidadãos a desistirem de votar. Mas eles precisam entender que o poder do voto é maior e mais eficaz que as decisões da magistratura. Se o eleitorado quiser mudar a qualidade do Congresso, dos governos e da presidência, pode fazer isso nas urnas, agindo mais rápido que a justiça”, destacou.
Texto: João Luiz Onety
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