Manaus ocupa a 8ª posição no ranking das cidades brasileiras mais afetadas pelas limitações impostas pelos congestionamentos na perspectiva de acesso a postos de trabalho. O dado consta no estudo “Os Impactos Desiguais do Congestionamento Urbano no Acesso a Empregos”, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Ao analisar as 20 maiores cidades brasileira, o estudo concluiu que a população de menor renda é mais negativamente afetada pelos congestionamentos de trânsito quando busca acessar vagas de trabalho.
A pesquisa avalia os impactos dos congestionamentos no acesso às oportunidades de empregos e aborda a questão num prisma pouco explorado pela academia sobre os efeitos de engarrafamentos. O levantamento busca analisar quais classes sociais são mais impactadas pelo trânsito lento.
Conforme o estudo, as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília são as mais afetadas pelas limitações impostas pelos congestionamentos na perspectiva de acesso ao mercado de trabalho. A redução da quantidade média de empregos acessíveis nesses municípios por causa do trânsito ruim é de 40,7%, 35,1% e 24,6% respectivamente.
Já Goiânia, Campo Grande e São Gonçalo (RJ) são as cidades menos afetadas pelos congestionamentos nesse contexto. A redução de acesso às oportunidades de trabalho nessas cidades é de 0,6%, 2,1% e 3,2% respectivamente, na comparação com os horários de trânsito livre.
A capital amazonense fica no meio termo, com redução de 14,3%.

De acordo com o estudo, as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília são as mais afetadas pelas limitações impostas pelos congestionamentos na perspectiva de acesso a postos de trabalho.
A redução da quantidade média de empregos acessíveis nesses municípios por causa do trânsito carregado é de 40,7%, 35,1% e 24,6% respectivamente.
Por outro lado, Goiânia, Campo Grande e São Gonçalo (RJ) são as cidades menos afetadas pelos congestionamentos nesse contexto. A redução de acesso às oportunidades de trabalho nessas cidades é de 0,6%, 2,1% e 3,2% respectivamente, na comparação com os horários de trânsito livre.
Congestionamentos afetam mais os mais pobres
O estudo aponta que, embora afetem a todas as classes sociais, os congestionamentos têm um impacto maior sobre populações de baixa renda. A diferença que limita o acesso de ricos e pobres em picos de congestionamento está associada à combinação de dois fatores: os padrões espaciais de localização de empregos e classes sociais e os padrões espaciais de congestionamento.

De forma resumida: os terrenos mais próximos dos centros de empregos, muitas vezes próximos ao próprio centro das cidades, são mais caros. Por isso, segmentos de maior renda têm mais chance de ocupar espaços próximos a esses locais.
Por outro lado, populações de baixa renda tendem a habitar áreas periféricas, onde os terrenos são mais baratos. Esses segmentos acabam sofrendo mais com os congestionamentos por terem de percorrer distâncias maiores, por meio de ruas e avenidas com maiores engarrafamentos, para chegar às áreas centrais, onde estão localizados os empregos.

O estudo do Ipea destaca que, embora as áreas centrais e mais próximas de centros de empregos sejam as que concentram grande parte do sistema viário com maiores índices de lentidão no trânsito, as distâncias percorridas dentro desses perímetros pelas pessoas que ali residem são menores.
O tempo gasto nesses deslocamentos é bem menor porque as distâncias são relativamente pequenas e podem ser percorridas por modos alternativos, como as bicicletas, ou mesmo a pé. Assim, a população de maior renda consegue acessar mais vagas de trabalho porque enfrenta congestionamentos por menos tempo em trajetos mais curtos.
Um outro elemento agravante da situação de exclusão da população de baixa renda verifica-se nas áreas mais remotas das periferias, ocupadas por populações em situação de extrema pobreza. Nessas áreas, o estudo mostra que o impacto dos congestionamentos é relativamente mais baixo.
O motivo é que essas regiões são tão afastadas dos centros que seus habitantes não têm oportunidade de acesso a empregos mesmo com trânsito livre (considerando o intervalo de tempo de viagem analisado no estudo, de 15 a 45 minutos de viagem de carro).
“A situação desse grupo de renda pode ser descrita como um deserto de oportunidades”, afirmam os pesquisadores e autores da publicação. “As distâncias entre esses bairros e os centros de empregos são tão grandes que o componente uso do solo é o que poderia fazer a maior diferença na melhoria da acessibilidade. Mesmo uma melhora significativa de eficiência do sistema de transporte, via redução de tempos de viagem, não seria capaz de aumentar substancialmente seu nível de acessibilidade devido a grandes distâncias, o que destaca a importância de se aumentar a proximidade entre empregos e áreas residenciais”, acrescentam.
Bases de dados e autores do estudo do Ipea
O estudo usou a base de dados de tráfego StreetMap Premium. Já os dados de localização de empregos formais foram obtidos do Relatório Anual de Informações Sociais (Rais) de 2019 do Ministério do Trabalho. Essas vagas de trabalho foram então geolocalizados por meio das informações de endereço com o software proprietário ArcGIS Pro e a API do Google Maps.
Os autores do estudo são Diego Bogado Tomasiello, Rafael H. M. Pereira e Vanessa Gapriotti Nadalin.
Acesse a íntegra do estudo “Os Impactos Desiguais do Congestionamento Urbano no Acesso a Empregos”.
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