Levantamento mostra que mais de 55% da população manauara, de 2,2 milhões de habitantes, utiliza o ônibus como principal meio de transporte, no entanto 75% das vias da cidade estão ocupadas por automóveis que transportam apenas 25% da população, gerando um grande desequilíbrio para o transporte coletivo.
O estudo utiliza dados oficiais do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana de Manaus(IMMU), Detran Amazonas e Denatran.
O engenheiro de transportes, Manoel Paiva defende como solução para ‘imobilidade’ na capital um reordenamento do sistema viário, que hoje prioriza o carro, e um novo marco regulatório do transporte.
“O maior problema de mobilidade encontramos nas zonas mais populosas de nossa capital, abrangendo as Zonas Norte, Leste e Oeste, onde se verificam também as maiores taxas de crescimento e adensamento populacional ao longo das últimas décadas. A zona periférica gera polos de tráfego, mais viagens diárias tendo como consequência um elevado fluxo de veículos pelos principais corredores estruturais da cidade”, declarou.
Pela malha viária, de aproximadamente, 16 mil avenidas, ruas e becos circulam 771,9 mil veículos entre carros, motos e coletivos, 2,4 mil ônibus fretados (rota do Distrito Industrial), 200 micro-ônibus executivos e 240 alternativos, quatro mil táxis, 3,3 mil mototaxistas e mais de 15 mil automóveis do serviço de transporte de passageiros por aplicativo, conforme estudo de Manoel Paiva.
O engenheiro pontuou que com tecnologia apropriada os semáforos inteligentes irão desempenhar o mesmo papel dos agentes de trânsito, além de coletar dados para melhorar o trânsito de veículos e aumentar a segurança dos pedestres e condutores. Com projetos de circulação, que poderão ser formulados dentro das Universidades, os agentes serão operadores do sistema viário.
Ainda é necessário, segundo Manoel Paiva, implantar projetos de intervenções viárias e sinalização nos bairros periféricos, em polos geradores de tráfego e em pontos com incidência de acidentes de trânsito.
Transporte coletivo
O modal está distribuído em 1,1 mil ônibus, divididos entre os modelos convencional e articulado. Ao todo, reúne oito mil empregados, sendo três mil duplas de cobrador e motorista nas 227 linhas que circulam pelas ruas da capital.
O sistema de transporte coletivo vem perdendo passageiros desde 2016 e, consequentemente, receita. Antes da pandemia, as nove empresas que operam na capital transportavam cerca de 600 mil passageiros por dia, número que caiu para 200 mil com o isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19 e subiu para cerca de 400 mil em agosto, segundo dados do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas.
Segundo Paiva, houve uma fuga em mais de 70% dos passageiros do transporte coletivo no pico da pandemia em Manaus, agravou a crise que já vinha há tempos e a lenta recuperação preocupa a sobrevivência do sistema.
O que fazer?
Na avaliação do engenheiro, os modais devem ser interligados, com tarifação única, facilidades de pagamento, melhorias na acessibilidade e no mobiliário urbano, por exemplo, parada, estações e terminais de ônibus, segurança, confiabilidade, conforto para retomar os usuários cativos e também para atrair novos.
“É necessário faixas exclusivas de transporte coletivo, aumento da velocidade operacional, otimização da frota existente, requalificação da mão de obra operacional, sistema de informação e participação do usuário”, disse.
Finanças
Ainda pesa sob o sistema o desafio de equacionar as contas das empresas de ônibus. Intervenção financeira no modal realizada pela Prefeitura de Manaus, entre julho de 2019 e janeiro de 2020, expôs que o sistema é deficitário.
Durante esse período, o município injetou R$ 61,8 milhões de recursos do contribuinte para custear as despesas e equilibrar as finanças das empresas que arrecadaram, nesses meses, R$ 125,7 milhões pelo Sistema de Bilhetagem Eletrônica, conforme relatório final da intervenção.
Em fevereiro deste ano, a prefeitura renovou por mais dez anos o contrato de concessão das empresas que integram o transporte coletivo condicionado à inserção de 300 ônibus novos na frota da capital. Desse total, apenas 112 veículos ingressaram, até setembro, no sistema.
O último reajuste da tarifa do transporte coletivo foi efetuado em 2017 de R$ 3,30 para R$ 3,80. O valor da passagem de ônibus em Manaus é a 12ª mais cara do Brasil, conforme levantamento do Cuponation. Diferente de outras capitais que contam com BRT, trem ou metrô reduzindo as chances de superlotação dos coletivos, em Manaus o transporte público coletivo resume-se aos ônibus: convencional, alternativo ou executivo.
Malha cicloviária
A capital conta com, aproximadamente, 38 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas em vias públicas, parques e praças, segundo dados da prefeitura.