quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Câmara ignora decisão do STF e troca relator de projeto que limita reajustes dos planos de saúde

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Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) forma maioria para barrar reajustes abusivos de planos de saúde com base na idade, a Câmara dos Deputados age na contramão do interesse público.

A decisão da Corte, que deve ser oficializada nos próximos dias, invalida aumentos em contratos firmados antes de 2003, quando o Estatuto do Idoso entrou em vigor.

Em outras palavras, os ministros entenderam que nenhuma empresa pode cobrar mais de um cliente apenas porque ele envelheceu — independentemente da data em que o contrato foi assinado.

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Até aqui, seis ministros votaram a favor dessa tese, entre eles Rosa Weber, relatora do processo, e Edson Fachin, que deve proclamar o resultado final.

O entendimento, conhecido como Tema 381, representa um marco na proteção dos consumidores, especialmente idosos, vítimas frequentes de aumentos desproporcionais que os obrigam a abandonar seus planos.

De acordo com dados da ANS, até dezembro de 2024, o Brasil contava com mais de 10 milhões de idosos com planos de saúde — o que representa quase 20% do total de beneficiários.

Entre 2001 e 2025, o valor médio dos planos de saúde para essa faixa etária passou de R$ 1.270 para cerca de R$ 3.100.

Mas, enquanto o Supremo avança, o Congresso mais uma vez mostra que não está alinhada com as necessidades da população.

A Câmara dos Deputados alterou a relatoria do projeto de lei que atualiza a Lei dos Planos de Saúde (PL 7.419/2006) — proposta que tramita há 19 anos e poderia modernizar o setor em favor do cidadão.

O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), retirou o deputado Duarte Júnior (PSB-MA) da relatoria e colocou Domingos Neto (PSD-CE) no comando, sob protestos de que a substituição aconteceu por interferência e lobby das operadoras de planos de saúde.

A mudança ocorre justamente quando o STF consolida uma decisão histórica, vista como avanço civilizatório.

Para especialistas o tribunal apenas reforça o óbvio: um contrato não pode se transformar em instrumento de exclusão.

Para os milhões de idosos que enfrentam aumentos abusivos, o gesto da Câmara soa como um recado amargo: a política continua mais atenta às pressões das empresas do que às necessidades da população.

Enquanto o STF tenta garantir dignidade e equilíbrio, o Legislativo parece disposto a manter os consumidores reféns de práticas antigas — um jogo desigual onde o cidadão, mais uma vez, paga a conta.

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