quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Nota oficial pacificadora mostra Bolsonaro recuando de arroubos antidemocráticos

Segundo a nota, as falas golpistas de Bolsonaro no Sete de Setembro foram decorrentes "do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum" dos brasileiros.
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nota antidemocrático

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) emitiu uma nota oficial na tarde desta quinta-feira (9) desdizendo o que afirmou nas manifestações do Sete de Setembro contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e declarando total respeito às instituições brasileiras.

O recuo de Bolsonaro se deu por conta da ameaça de desabastecimento causada pelo bloqueio de estradas feito por grupos de caminhoneiros bolsonaristas e também pela crise institucional criada com o STF e o Congresso Nacional após as declarações do presidente nas manifestações do dia 7.

Bolsonaro afirma na nota que o “calor do momento” o levou a proferir os arroubos vistos como antidemocráticos. “Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum”.

A nota foi publicada após reunião de Bolsonaro com o ex-presidente Michel Temer (MDB), que foi chamado ao Planalto para aconselhamento.

Intitulada “Declaração à Nação”, a nota diz, em primeira pessoa, dentre outras coisas, que “na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de ‘esticar a corda’, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia”.

Antes da divulgação da nota, Bolsonaro conversou por telefone com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, principal alvo de seus ataques na última terça-feira (9), com mediação de Michel Temer.

Na nota, o presidente também baixa o tom ao citar o ministro: “Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes”, disse Bolsonaro, acrescentando que as divergências devem ser resolvidas “por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal”.

O ex-presidente Michel Temer confirmou à rede de televisão CNN que foi ele quem redigiu a nota divulgada pelo presidente Bolsonaro.

Confira a nota na íntegra:

Declaração à Nação

No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:

1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.

2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.

3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.

4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.

5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.

6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.

7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.

8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.

9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.

10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.

DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA

Jair Bolsonaro, Presidente da República Federativa do Brasil

Texto: Omar Gusmão

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