quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Banco Mundial empresta dinheiro em troca da conservação da Amazônia

No Amazonas, a assinatura do primeiro de dois empréstimos, de US$ 200 milhões cada, deve acontecer até novembro.
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Amazônia

De um lado, o Mato Grosso, uma potência agrícola ameaçada pelas mudanças climáticas. De outro, o Amazonas, uma potência ambiental subaproveitada. Em comum, a precariedade da política de combate ao desmatamento e a oportunidade de qualificar ações através de recursos do Banco Mundial (Bird).

Mato Grosso e Amazonas são os primeiros estados da Amazônia Legal a receber uma nova modalidade de empréstimos do Banco Mundial, cuja meta é aliar sustentabilidade fiscal e ambiental.

“O Banco Mundial acha que os estados têm uma responsabilidade grande no controle do desmatamento, mas sua capacidade [de combatê-lo] é bastante fraca”, observa Renato Nardello, líder do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Banco Mundial no Brasil, em entrevista exclusiva ao ((o))eco. “Essa estratégia de apoio aos estados da Amazônia Legal foi elaborada para termos um pé neste assunto fundamental”, completa o executivo.

O contrato com o Mato Grosso, no valor de US$ 250 milhões, foi assinado em 2019. No Amazonas, a assinatura do primeiro de dois empréstimos, de US$ 200 milhões cada, deve acontecer até novembro. 

A ajuda chegou em boa hora para o governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), que apesar de estar à frente do maior produtor de grãos e carne do país, precisou decretar estado de calamidade financeira. 

Segundo o Bird, além de drenar poucos recursos para os cofres do estado, o agronegócio colocava a própria sobrevivência em risco ao avançar sobre as áreas de vegetação nativa e alterar o regime de chuvas.

“O estado de Mato Grosso se desenvolveu com base na produção agrícola, mas a expansão das fronteiras para as florestas poderia minar o progresso econômico daqui para frente”, observam os técnicos da instituição financeira, em um diagnóstico feito em abril de 2019.

Por isso, medidas de proteção ao meio ambiente foram incluídas nas obrigações do estado ao lado do tradicional ajuste fiscal.

Para acessar os recursos do banco, o Mato Grosso não apenas precisou adotar uma série de medidas de redução de gastos públicos, mas também teve que aprovar um novo Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e Incêndios Florestais – o anterior havia vencido em 2016.

O governo do estado também adotou metas de redução do desmatamento e regularização fundiária.

Texto: Fernanda Wenzel/Oeco

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