Jair Bolsonaro (PL) pode cortar o incentivo tributário dado à fabricantes de concentrados de refrigerantes instalados na Zona Franca de Manaus como forma de compensar parte da renúncia fiscal do programa de renegociação de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs). A informação foi dada pela Folha de São Paulo, que mencionou uma possível retaliação à bancada.
O RealTime1 repercutiu o assunto com os parlamentares amazonenses em Brasília, que reagiu negativamente a possibilidade de mais um duro golpe ao modelo econômico do estado.
Questionado sobre o tema, o senador Omar Aziz (PSD), que vem sendo alvo de ataques de Bolsonaro, principalmente após ter presidido a CPI da pandemia em 2021, declarou que uma retaliação por parte do presidente “seria uma atitude infantil e não a de um chefe de Nação”.
”Eu não acredito que o presidente Bolsonaro esteja atacando o polo de refrigerantes do meu Estado por retaliação. Isso seria coisa de menino birrento e não de um presidente da República. Presidente, pare de ”bater o pé” e haja com a grandeza que o cargo exige”, disparou.
Plínio Valério (PSDB) disse ao RealTime1 que não acredita em uma retaliação de Bolsonaro à bancada, por entender que a rixa do presidente é exclusiva com o senador Omar Aziz (PSD).
”Eu me recuso a acreditar que o presidente Bolsonaro fique chateado com a bancada por causa de alguma coisa, até onde eu sei o problema dele é com o Omar”, frisou o senador tucano.
‘Ele não provoca a bancada, ele provoca o povo do Amazonas’, diz Marcelo Ramos
O vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PSD), que na manhã desta quinta-feira (7) publicou em suas redes sociais um vídeo onde cobra a publicação de um novo decreto que não atinja a ZFM, afirmou ao RealTime1 que prefere não acreditar na intenção de Bolsonaro, a qual classificou como ”molecagem”.
”Um presidente falar em prejudicar os empregos dos amazonenses, as receitas que financiam escolas e hospitais no Amazonas por retaliação política é uma molecagem tão grande que, até que se confirme, eu prefiro acreditar que é especulação. Fazendo isso ele não provoca a bancada, provoca o povo do Amazonas”.
Queda na arrecadação e até impactos ambientais, diz Zé Ricardo
Zé Ricardo (PT) disse ao RealTime1 que se essa ameaça for efetiva, haverá saída de empresas, consequente queda na arrecadação e perda de empregos.
”É lamentável, é extremamente prejudicial para Manaus, para a Zona Franca, para a economia do Amazonas, porque você vai acabar com o polo de concentrados e, ao mesmo tempo, a redução de IPI já está afetando a perspectiva futura de investimentos. Vai ser uma catástrofe se essa política de incentivos for destruída, as empresas vão embora”.
O petista disse ainda que a questão do meio ambiente estará ameaçada e criticou a frequente postura de ataque do governo Federal.
”[…]o resultado disso [saída das empresas] é que a economia vai ser guinada para a área de mineração, exploração de madeira e isso vai criar impactos com repercussão até internacional[…] esse governo realmente é contra a Zona Franca, contra a economia do Amazonas e contra os empregos”
Bosco Saraiva (Solidariedade) afirmou que a intenção de prejudicar o modelo econômico vem desde o início da gestão atual e que a bancada tem sofrido para conseguir driblar esses golpes.
”O Governo Federal tem má vontade para com a Zona Franca de Manaus desde janeiro de 2019.
Essa manifestação mais explícita é somente a confirmação da realidade enfrentada por nossa bancada nos últimos anos”.
O deputado Delegado Pablo (União Brasil), bolsonarista declarado, afirmou ao RealTime1 que sempre tentou ”conscientizar” o governo da importância dos incentivos, mas não comentou sobre a real possibilidade desse corte se concretizar.
”Já houve várias tentativas de atingir o setor dos concentrados de bebidas instalado no Amazonas, inclusive durante os governos de Lula e Dilma. Venho conscientizando o governo da importância do setor e conseguimos dobrar o Ministério da Economia que tentava retirar os incentivos dessa atividade. Vamos nos manter firmes e vigilantes”, amenizou o parlamentar.
Texto: João Luiz Onety
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