Depois do café e da carne, o cacau entra para a lista dos vilões da inflação, com um aumento de 189% no preço da commodity nos últimos 12 meses.
Esse aumento, que coloca o cacau à frente de outros itens essenciais como o leite, milho e trigo, promete afetar diretamente o preço dos ovos de Páscoa em 2025.
A causa principal dessa alta é a redução da safra de cacau na Costa do Marfim, maior produtor global, que gerou uma pressão no mercado.
A produção de chocolate no Brasil, já impactada por questões logísticas e aumento nos custos de produção, enfrentará mais um desafio com a alta da matéria-prima.
Segundo Gustavo Bastos, presidente do conselho da Associação Brasileira da Indústria de Alimentação (Abia), é cedo para determinar o quanto exatamente esse aumento será repassado para o consumidor, mas é esperado que os preços dos ovos de Páscoa sigam a tendência de alta no mercado de chocolates como um todo.
Além da questão do cacau, a indústria brasileira de alimentos enfrentou uma pressão inflacionária em 2024 devido a fatores como os custos com embalagens, energia e a desvalorização do câmbio.
No entanto, apesar desses obstáculos, o setor alimentício foi resiliente, com uma inflação de 7,7% nos alimentos industrializados e crescimento de 3,2% na produção total de alimentos.
Para o futuro, a Abia espera um crescimento de 2% a 2,5% nas vendas reais, levando em consideração a inflação.
Com a constante busca por inovação e investimento, a indústria alimentícia se adaptou ao cenário econômico e se prepara para os desafios que virão em 2025.
A redução do impacto da inflação nos preços ao consumidor final depende, em grande parte, da capacidade de absorção dos custos pelas indústrias e da aplicação de estratégias que busquem um equilíbrio entre o aumento das matérias-primas e o poder de compra dos consumidores.
O mercado de chocolate, e particularmente os ovos de Páscoa, não devem ficar imunes a essas mudanças, e os consumidores podem esperar ajustes no preço para a próxima temporada de festas.
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